Bem Vindo ao Blog da Paróquia de Vila da Ponte -Arciprestado de Sernancelhe - Diocese de Lamego

"A opção fundamental da Vida de um Cristão é acreditar no Amor de Deus" Bento XVI

domingo, 26 de fevereiro de 2012

DESTE MODO NUNCA TÍNHAMOS VISTO!

1. Tinha Jesus saído de casa e de Cafarnaum na madrugada daquele primeiro dia da semana, muito cedo, para rezar num lugar deserto (Marcos 1,35). Procuraram-no os seus discípulos e aí o encontraram. Movia-os a ideia de o fazer regressar a Cafarnaum, apresentando para isso uma razão que julgavam suficiente: «Todos te procuram (zêtéô)» (Marcos 1,37). Já sabemos que Jesus os deixou boquiabertos, apontando-lhes outros critérios: «Vamos a outros lugares, às aldeias vizinhas, para que também lá ANUNCIE (kêrýssô); na verdade, foi para isto que saí (exêlthon)» (Marcos 1,38). Entenda-se neste «sair», não o simples facto de Jesus ter saído naquela madrugada de casa e da cidade, mas o grande êxodo de Jesus, expresso nas suas próprias palavras: «Saí (exêlthon) do Pai e vim para o mundo» (João 16,28).
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2. Sim. Andavam equivocados os discípulos de Jesus. Quem procura quem? Na verdade, como «o Pai procura os seus adoradores» João 4,23), também Jesus «vem procurar e salvar o que anda perdido» (Lucas 19,10). Divina procura. Por isso, Jesus enceta sempre novas procuras e empenha consigo os seus discípulos neste comportamento novo e inaugural.
3. Ei-lo, portanto, neste Domingo VII do Tempo Comum, de regresso a Cafarnaum, sempre sujeito, e não objecto, de novas procuras que desencadeiam novas maravilhas (Marcos 2,1-12). O cenário é simples. A Cafarnaum do tempo de Jesus, que a arqueologia mostra a quem quiser ver, obedecia helenístico-romano, assente no cardo maximus, grandes ruas no sentido norte-sul, e nos decumani, travessas este-oeste, que desenhavam a cidade em quarteirões geométricos. As casas, por sua vez, apresentam a mesma planta e o mesmo tipo de construção: formadas apenas por rés-do-chão, sem andares, tinham no pátio de entrada, um amplo espaço a céu aberto, a sua parte principal, onde se desenrolavam as actividades normais do dia-a-dia: aqui estava o moinho, o forno, aqui as mulheres preparavam as refeições, aqui trabalhavam os artesãos, aqui dormiam nas noites escaldantes de verão em esteiras estendidas pelo chão. Deste pátio partiam diversos compartimentos, compridos e estreitos, cobertos por um tecto formado por algumas vigas de madeira e terra amassada com palha. Estes compartimentos internos eram diversos, porque a casa de habitação era certamente partilhada por diversos ramos familiares (família patriarcal); eram estreitos, porque se tornava difícil a cobertura de tectos largos, não havendo madeira na região; eram compridos, porque ter muitos filhos era um ideal a perseguir e uma bênção de Deus. O conjunto habitacional, esta casa, formada pelo pátio e pelos compartimentos, estava rodeada por um muro de pedras de basalto negro da região de cerca de três metros de altura, que tinha uma porta (a única porta de toda a casa que se podia fechar) que dava para o exterior.
4. Se à descrição acima feita, acrescentarmos agora que, na casa de Pedro em que Jesus está hospedado, a porta do muro que cerca o pátio e os compartimentos se situa na fachada E, ficamos a saber que a porta abre para a rua principal (cardo maximus), e que, no caso da casa de Pedro, entre a referida porta e a rua principal, há ainda um largo espaço adicional. A arqueologia ao encontro dos dados do Evangelho, que refere que «toda a cidade estava reunida junto da porta» (Marcos 1,33).
5. Fica também ao alcance da nossa compreensão o facto de o paralítico referido no texto do Evangelho tenha sido descido pelo tecto (fácil de destapar) de um dos compartimentos da habitação, dado que era impossível para quem o transportava poder ir até junto de Jesus através da multidão.
6. Também se percebe que é Jesus que nos procura, e que só Ele sabe procurar verdadeiramente. É Ele que nos vê (ideîn) primeiro e fundo. Ele vê a fé e perdoa, isto é, recria, como só Deus sabe e pode perdoar ou recriar (Marcos 2,5). Atenção que este belíssimo dito de Jesus: «Filho, são-te perdoados os teus pecados» (Marcos 2,5) só se ouve aqui e agora. Nem antes nem depois será dita coisa semelhante. Graça oferecida que não pode ser desperdiçada! Mas também vê os corações enviesados e esclerosados dos escribas (Marcos 2,6-8), e abre diante deles a porta da salvação. Também os escribas aparecem aqui pela primeira vez. Mas não única! A «blasfémia» também surge aqui pela primeira vez (Marcos 2,7). Aparecerá de novo em Marcos 14,64, e é a causa da morte de Jesus!
7. Enfim, para maravilha dos nossos olhos tantas vezes embotados, o paralítico passa «diante de toda a gente», ouve-se um novo Gloria in excelsis Deo, e a singular anotação: «Deste modo nunca tínhamos visto» (Marcos 2,12).
8. Em perfeita sintonia, aí está hoje Isaías 43,18-25 a pôr Deus a anunciar que vai fazer uma coisa nova. E essa coisa nova é o perdão primeiro e incondicional de Deus que abre avenidas de incontida e imerecida alegria na nossa vida.
9. Deus do SIM irreversível. O grande, imenso, intenso texto de Paulo (2 Coríntios 1,19) põe diante de nós esta lição sublime: «O Filho de Deus, Jesus Cristo, que foi ANUNCIADO por nós no meio de vós, não foi SIM e NÃO, mas unicamente SIM» (2 Coríntios 1,19). Junte-se este dizer de João: «Por meio d’Ele tudo foi feito» (João 1,3). E mais este, outra vez de Paulo: «N’Ele tudo foi criado» (Colossenses 1,16). E veja-se agora em contra-luz a pura filigrana da Escritura Santa: o texto da criação, apresentado no Livro do Génesis 1,1-2,4a, contém 452 palavras hebraicas. E não registra um único NÃO!
10. Há, na verdade, um modo novo de ver e de fazer.

António Couto

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Mensagem do Sr. D. António Couto para a Quaresma

  

O Papa Bento XVI inspirou-se na bela homilia que é a Carta aos Hebreus para falar, nesta Quaresma, ao coração da Igreja inteira e fazer soar e ressoar as suas cordas mais sensíveis, no sentido de nos fazer acordar da nossa letargia e nos persuadir a «prestar atenção uns aos outros, para acender em nós o paroxismo do amor e das obras boas e belas» (Hebreus 10,24).
«Prestar atenção» significa, como bem indica o verbo grego katanoéô, olhar de forma nova, próxima e dedicada para os outros e pelos outros. Olhar atentamente para os outros será sempre, em boa verdade, olhar pelos outros, pondo-nos ao seu serviço. Este olhar novo, limpo e diaconal dissolve o nosso olhar tantas vezes patronal, e faz-nos compreender que o outro, qualquer outro, tem sempre prioridade e precedência sobre nós.
Este procedimento novo de nos descentrarmos de nós mesmos para ficarmos por amor atentos aos outros e a olhar pelos outros é o caminho por excelência ou hiperbólico da vida cristã, como bem nos indicou São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios (12,31). Por isso, nos tempos difíceis mas cheios de graça e de esperança que vivemos hoje, não temos o direito de nos acomodar (Romanos 12,2), passando insensivelmente ao lado das dores dos nossos irmãos, vivam eles aqui perto ou lá longe.
A Quaresma é um tempo de graça, de verdade e de escuta em alta fidelidade. É também um tempo de prova. Tempo de rasgar novas avenidas de nova sensibilidade, de abrir caminhos de caridade mais intensa, sempre a partir da Vida nova do Ressuscitado, sempre a caminho da Vida nova do Ressuscitado. Em boa verdade, é sempre bom e belo tomarmos consciência de que estamos hoje e aqui, a viver esta Quaresma do Ano da Graça de 2012, depois da Ressurreição do Senhor e por causa da Ressurreição do Senhor.
Depois da Ressurreição do Senhor e por causa da Ressurreição do Senhor. São estas as coordenadas nucleares da nossa estrada quaresmal. Não podemos, portanto, queridos irmãos, deixar de testemunhar que também hoje é possível, belo, bom e justo viver a existência humana de acordo com o Evangelho, e empenhar-nos, por isso e para isso, em viver uma vida verdadeira, plena, bela, de tal modo bela, que não seria possível explicá-la se Cristo não tivesse sido Crucificado e se não tivesse verdadeiramente Ressuscitado.
Querida Igreja desta Diocese de Lamego, não esqueças a tua identidade. Não te percas no caminho. Não te esqueças de onde vens e para onde vais. Não percas de vista Cristo Crucificado e Ressuscitado. E não te esqueças de que Ele continua vivo e actuante em ti, e solenemente exposto no rosto de cada irmão e irmã mais pequeninos.
Assim sendo e assim é, querida Igreja de Lamego, «enquanto temos tempo, façamos o bem para com todos» (Gálatas 6,10). E tu, meu irmão e minha irmã, «não deixes de fazer o bem a quem tem necessidade, quando está em tuas mãos fazê-lo. Não digas ao teu próximo: “Vai-te embora, volta amanhã e dar-te-ei, se tens aquilo de que ele necessita”» (Provérbios 3,27-28).
Lembro ainda, queridos irmãos, que esta viagem quaresmal é mais intransitiva do que transitiva. Não é tanto uma viagem exterior, nas estradas e no mapa. É mais, muito mais, uma viagem por dentro de nós, para refazer um coração que vê, entranhas que amam sem medida, pés que correm a anunciar o Evangelho, mãos abertas que acolhem e dão, mente cheia de grandes ideais. Ou, para o dizer com São Paulo: «Revesti-vos […] de entranhas de misericórdia, bondade, humildade, mansidão e magnanimidade, levantando-vos uns aos outros e fazendo-vos graça uns aos outros» (Colossenses 3,12-13).
Amados irmãos, queria propor-vos também, para este itinerário quaresmal, uma maneira concreta de prestarmos atenção aos nossos irmãos, de olharmos pelos nossos irmãos, de perto e de longe. Falo do destino a dar ao nosso contributo quaresmal diocesano, que é uma das expressões da nossa caridade. Olhando para os nossos irmãos de perto, vamos destinar uma parte do contributo da nossa caridade para o fundo solidário diocesano, para ajudar a aliviar os irmãos mais necessitados. Olhando para os nossos irmãos de longe, vamos destinar outra parte do contributo da nossa caridade para as missões de Malema e Nametil (Diocese de Nampula, Moçambique), para sentirmos também a alegria de levar um pouco de alívio a irmãos nossos que experimentam muito mais dificuldades do que nós.
Com a ternura de Jesus Cristo, saúdo todas as crianças, jovens, adultos e idosos, catequistas, acólitos, leitores, escuteiros, cantores, ministros da comunhão, membros de todas as associações, serviços e secretariados, todos os nossos seminaristas, todos os religiosos e religiosas, todos os diáconos e sacerdotes que habitam e servem a nossa Diocese de Lamego ou estão ao serviço de outras Igrejas. Saúdo com particular afecto todos os doentes, carenciados e desempregados, e as famílias que atravessam dificuldades. Uma saudação especial aos nossos emigrantes.
Na certeza da minha oração e comunhão convosco, a todos vos abraça o vosso bispo
+ António Couto, Bispo de Lamego

domingo, 19 de fevereiro de 2012

DESTE MODO NUNCA TÍNHAMOS VISTO!

1. Tinha Jesus saído de casa e de Cafarnaum na madrugada daquele primeiro dia da semana, muito cedo, para rezar num lugar deserto (Marcos 1,35). Procuraram-no os seus discípulos e aí o encontraram. Movia-os a ideia de o fazer regressar a Cafarnaum, apresentando para isso uma razão que julgavam suficiente: «Todos te procuram (zêtéô)» (Marcos 1,37). Já sabemos que Jesus os deixou boquiabertos, apontando-lhes outros critérios: «Vamos a outros lugares, às aldeias vizinhas, para que também lá ANUNCIE (kêrýssô); na verdade, foi para isto que saí (exêlthon)» (Marcos 1,38). Entenda-se neste «sair», não o simples facto de Jesus ter saído naquela madrugada de casa e da cidade, mas o grande êxodo de Jesus, expresso nas suas próprias palavras: «Saí (exêlthon) do Pai e vim para o mundo» (João 16,28).
2. Sim. Andavam equivocados os discípulos de Jesus. Quem procura quem? Na verdade, como «o Pai procura os seus adoradores» João 4,23), também Jesus «vem procurar e salvar o que anda perdido» (Lucas 19,10). Divina procura. Por isso, Jesus enceta sempre novas procuras e empenha consigo os seus discípulos neste comportamento novo e inaugural.
Clique no slide! 3. Ei-lo, portanto, neste Domingo VII do Tempo Comum, de regresso a Cafarnaum, sempre sujeito, e não objecto, de novas procuras que desencadeiam novas maravilhas (Marcos 2,1-12). O cenário é simples. A Cafarnaum do tempo de Jesus, que a arqueologia mostra a quem quiser ver, obedecia helenístico-romano, assente no cardo maximus, grandes ruas no sentido norte-sul, e nos decumani, travessas este-oeste, que desenhavam a cidade em quarteirões geométricos. As casas, por sua vez, apresentam a mesma planta e o mesmo tipo de construção: formadas apenas por rés-do-chão, sem andares, tinham no pátio de entrada, um amplo espaço a céu aberto, a sua parte principal, onde se desenrolavam as actividades normais do dia-a-dia: aqui estava o moinho, o forno, aqui as mulheres preparavam as refeições, aqui trabalhavam os artesãos, aqui dormiam nas noites escaldantes de verão em esteiras estendidas pelo chão. Deste pátio partiam diversos compartimentos, compridos e estreitos, cobertos por um tecto formado por algumas vigas de madeira e terra amassada com palha. Estes compartimentos internos eram diversos, porque a casa de habitação era certamente partilhada por diversos ramos familiares (família patriarcal); eram estreitos, porque se tornava difícil a cobertura de tectos largos, não havendo madeira na região; eram compridos, porque ter muitos filhos era um ideal a perseguir e uma bênção de Deus. O conjunto habitacional, esta casa, formada pelo pátio e pelos compartimentos, estava rodeada por um muro de pedras de basalto negro da região de cerca de três metros de altura, que tinha uma porta (a única porta de toda a casa que se podia fechar) que dava para o exterior.
4. Se à descrição acima feita, acrescentarmos agora que, na casa de Pedro em que Jesus está hospedado, a porta do muro que cerca o pátio e os compartimentos se situa na fachada E, ficamos a saber que a porta abre para a rua principal (cardo maximus), e que, no caso da casa de Pedro, entre a referida porta e a rua principal, há ainda um largo espaço adicional. A arqueologia ao encontro dos dados do Evangelho, que refere que «toda a cidade estava reunida junto da porta» (Marcos 1,33).
5. Fica também ao alcance da nossa compreensão o facto de o paralítico referido no texto do Evangelho tenha sido descido pelo tecto (fácil de destapar) de um dos compartimentos da habitação, dado que era impossível para quem o transportava poder ir até junto de Jesus através da multidão.
6. Também se percebe que é Jesus que nos procura, e que só Ele sabe procurar verdadeiramente. É Ele que nos vê (ideîn) primeiro e fundo. Ele vê a fé e perdoa, isto é, recria, como só Deus sabe e pode perdoar ou recriar (Marcos 2,5). Atenção que este belíssimo dito de Jesus: «Filho, são-te perdoados os teus pecados» (Marcos 2,5) só se ouve aqui e agora. Nem antes nem depois será dita coisa semelhante. Graça oferecida que não pode ser desperdiçada! Mas também vê os corações enviesados e esclerosados dos escribas (Marcos 2,6-8), e abre diante deles a porta da salvação. Também os escribas aparecem aqui pela primeira vez. Mas não única! A «blasfémia» também surge aqui pela primeira vez (Marcos 2,7). Aparecerá de novo em Marcos 14,64, e é a causa da morte de Jesus!
7. Enfim, para maravilha dos nossos olhos tantas vezes embotados, o paralítico passa «diante de toda a gente», ouve-se um novo Gloria in excelsis Deo, e a singular anotação: «Deste modo nunca tínhamos visto» (Marcos 2,12).
8. Em perfeita sintonia, aí está hoje Isaías 43,18-25 a pôr Deus a anunciar que vai fazer uma coisa nova. E essa coisa nova é o perdão primeiro e incondicional de Deus que abre avenidas de incontida e imerecida alegria na nossa vida.
9. Deus do SIM irreversível. O grande, imenso, intenso texto de Paulo (2 Coríntios 1,19) põe diante de nós esta lição sublime: «O Filho de Deus, Jesus Cristo, que foi ANUNCIADO por nós no meio de vós, não foi SIM e NÃO, mas unicamente SIM» (2 Coríntios 1,19). Junte-se este dizer de João: «Por meio d’Ele tudo foi feito» (João 1,3). E mais este, outra vez de Paulo: «N’Ele tudo foi criado» (Colossenses 1,16). E veja-se agora em contra-luz a pura filigrana da Escritura Santa: o texto da criação, apresentado no Livro do Génesis 1,1-2,4a, contém 452 palavras hebraicas. E não registra um único NÃO!
10. Há, na verdade, um modo novo de ver e de fazer.

António Couto

in http://mesadepalavras.wordpress.com/ 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA BENTO XVI PARA A QUARESMA DE 2012


«Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos
ao amor e às boas obras» (
Heb 10, 24)
Irmãos e irmãs!
A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.
Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da » (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.
1. «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.
O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objecto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66).
A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.
O facto de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correcção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correcção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correcção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.
2. «Uns aos outros»: o dom da reciprocidade.
O facto de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correcção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.
Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (1 Cor 12, 25) – afirma São Paulo –, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e omnipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a acção do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16).
3. «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»: caminhar juntos na santidade.
Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.
Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre actual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10).
Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.
Vaticano, 3 de Novembro de 2011
BENEDICTUS PP. XVI

O ABRAÇO SALVADOR

1. Domingo VI do Tempo Comum. O Evangelho de Marcos 1,40-45 continua a mostrar que Jesus, que é «o Reino de Deus em pessoa» (autobasileía, como bem refere Orígenes), Aquele que se fez próximo para sempre (Marcos 1,15), continua a passar pelos nossos caminhos, a cruzar-se com as nossas dores, e a assumi-las sobre si, curando a nossa pele chagada e o nosso esclerosado coração.
2. Cena comovente. Contra todas as regras estabelecidas, que impunham aos leprosos o isolamento e a distância de Deus (não podiam frequentar o Templo ou a sinagoga) e dos homens (não podiam entrar nas povoações), e o grito de «impuro, impuro» que deviam trazer nos lábios (Levítico 13,45), para que as pessoas, ao ouvir o grito, deles se distanciassem o mais possível, eis hoje um leproso que ousa aproximar-se de Jesus e colocar-se de joelhos diante dele, implorando dele a cura (Marcos 1,40). É, nos Evangelhos, o único doente que se coloca de joelhos diante de Jesus, implorando a sua cura. O gesto é o seu verdadeiro pedido, que as palavras que diz apenas iluminam. Ele sabe que a cura é um dom de Deus.
3. Um leproso, diziam os rabinos, era como um morto em vida. Separado de Deus e da comunidade do louvor de Deus, isto é, da comunhão de vida com Deus, o leproso em tudo se assemelhava aos mortos, que também estavam separados de Deus e fora do louvor de Deus, a verdadeira nascente da vida (Salmo 6,6; 88,6; Isaías 38,18). Neste sentido, o Livro de Job define a lepra como o «primogénito entre os mortos» (Job 18,13). Tanto assim era que uma eventual cura da lepra suscitava o mesmo efeito de uma ressuscitação da morte.
4. As vísceras maternas de Jesus comovem-se (splagchnízomai) quando vê o estado miserável deste seu filho. Não o pode repelir. Pelo contrário, estende a sua mão sobre ele, gesto de divina soberania (Êxodo 3,20; 7,5; Salmo 138,7), e toca-lhe e fala para ele (Marcos 1,41). Tocando-lhe, Jesus assume sobre si a lepra daquele pobre homem. É assim que o salva e nos salva.
5. Com este seu comportamento de radical proximidade fisica e afectiva, Jesus diz-nos que nos devemos abeirar de todas as pessoas, nomeadamente dos doentes e marginalizados, sempre incluindo e nunca excluindo, com uma atitude próxima, compassiva, calorosa e familiar, no pólo oposto de qualquer comportamento indiferente e asséptico.
6. «Quero, fica limpo!», diz Jesus (Marcos 1,41). Nasce um homem novo, saído das mãos puras de Deus e da sua Palavra mansa e criadora (Génesis 1; João 15,3). Um grito se calou: «impuro, impuro!». Um novo grito nasceu: o do ANÚNCIO (kêrýssô) do Evangelho (Marcos 1,45). É o terceiro ANUNCIADOR depois de João Baptista (Marcos 1,4.7) e de Jesus (Marcos 1,14.38.39). Outros se seguirão (Marcos 3,14; 5,20; 6,12; 7,36; 16,15). Provocação para nós.
7. O texto do Livro do Levítico 13,1-2.44-46 mostra-nos o caminho estreito e triste do leproso, que abre, todavia, para a larga e feliz avenida do Evangelho deste dia. E a Primeira Carta aos Coríntios 10,31-11,1 faz-nos ver o Apóstolo Paulo como «imitador» (mimêtês) de Cristo (1 Coríntios 11,1): ser na terra um «mimo» (mîmos) de Cristo, fazer como Cristo faz, fazer descer o céu à terra!

António Couto

IN http://mesadepalavras.wordpress.com/2012/02/12/o-abraco-salvador/#comments

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Entrada de D. Antonio na Diocese de Lamego

D. António Couto na festa do Seminário de Resende

Num dia em que o vento gelado se fazia sentir com especial intensidade, não faltou o calor humano na festa de Nossa Senhora de Lourdes, Padroeira do Seminário Menor de Resende.
A este Seminário, onde estudam 17 alunos, que procuram discernir a sua vocação, deslocou-se o Sr. D. António Couto, novo Bispo da Diocese de Lamego, onde chegou quando passavam poucos minutos das 10h00. À sua espera estavam os membros da Equipa Formadora do Seminário (P. António José Ferreira, Vice-Reitor; P. Miguel Peixoto, Formador; P. João Carlos Morgado, Director Espiritual; e P. José Manuel Correia, que ali colabora), seminaristas, quer de Resende, quer do Seminário Maior de Lamego, com os seus familiares, vários sacerdotes, membros da Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Lamego, funcionários do Seminários e alguns benfeitores. Também marcou presença o ilustre Presidente da Câmara Municipal de Resende, Dr. António Borges, o Sr. D. Jacinto Botelho, Bispo emérito da Diocese de Lamego e o Sr. D. António José Rafael, Bispo emérito da Diocese de Bragança-Miranda, que, no passado, exerceu o seu ministério sacerdotal como Vice-Reitor do Seminário de Resende.
 
A manhã foi preenchida pela saudação de boas vindas do P. António José a todos os presentes. Seguiram-se umas breves palavras de apresentação do Sr. D. António Couto proferidas pelo seu antecessor, Sr. D. Jacinto.
Tomou, depois, a palavra o Sr. D. António Couto, para falar do tema que anima o ano escolástico no Seminário de Resende: “Aprender com Maria a viver com Jesus”. Depois de saudar os presentes, o Bispo de Lamego propôs aos presentes uma reflexão sobre Maria, usando três imagens, ou ícones: o primeiro ícone, Maria como escutadora da Palavra; o segundo, Maria como olhada amorosamente por Deus; o terceiro, Maria como bem aventurada que vai à frente a abrir novos caminhos. “Ao longo da história, não foram os políticos nem os intelectuais quem abriu caminhos novos: foram os pobres e os santos aqueles que trilharam novos rumos de santidade”, afirmou.
Em todas as imagens que apresentou, recorrendo a passagens, quer do Antigo, quer do Novo Testamento, o Sr. D. António procurou mostrar como o Seminário pode e deve ser o lugar onde, seguindo o exemplo de Maria, os seminaristas devem aprender a abrir caminhos novos, abrindo-se às pessoas num abraço terno e alegre.
O ponto alto da celebração ocorreu com a celebração da Eucaristia, presidida pelo Sr. D. António e concelebrada pelo Sr. D. Jacinto, pelo Sr. D. António Rafael, pelo Mons. Joaquim Dias Rebelo, Vigário Geral da Diocese e com cerca de duas dezenas de sacerdotes.
 
Na homilia, o Sr. D. António, no comentário às leituras do dia, referindo-se a Maria como aquela que guardava todas as palavras, compondo-as no seu coração. “Mulher bela, entretida com a Música divina, ela soube ouvir para depois espalhar essa melodia divina nos caminhos que percorreu”, afirmou o Prelado lamecense.
Seguiu-se o almoço para todos os presentes, o qual foi o prelúdio da tarde de convívio que fechou a festa da padroeira do Seminário de Resende.


Diocese de Lamego – Gabinete de Imprensa