Bem Vindo ao Blog da Paróquia de Vila da Ponte -Arciprestado de Sernancelhe - Diocese de Lamego

"A opção fundamental da Vida de um Cristão é acreditar no Amor de Deus" Bento XVI

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O burro do Presépio

 



No Céu também há cavalariças. É isso que ensina o burro do Presépio. Jesus disse: "Na casa de meu Pai há muitas moradas" (Jo 14, 2). O burro diz que algumas delas têm estrebaria.

Nos palácios do Céu estão os grandes apóstolos, os mártires heróicos, pastores atentos, doutores sublimes, virgens puras, santos incomparáveis. Mas lá também há lugar para aqueles de nós que nos limitamos a levar com fidelidade e diligência a carga que nos foi imposta. Sem fazer coisas extraordinárias, sem sequer compreender bem o sentido de tudo isto, mas desempenhando todos os dias a tarefa que nos está atribuída. É normal que no fim não tenhamos lugar nas mansões do Céu. Mas lá até as cocheiras são maravilhosas. Porque no Céu os currais são Presépio.

Quer isto dizer que qualquer asno entra no Céu? Afinal também lá chegam as vozes de burro? Não. Não basta ser um bom jerico para chegar ao Céu: é preciso mais uma coisa. Claro que é condição indispensável ser um jumento de qualidade. E isso, admitamos, não é nada fácil. Muitos conseguem carregar certas coisas algum tempo, mas o bom burro é aquele que leva o que for preciso e leva-o todos os dias. Carrega aquilo que tiver de ser, sem discutir, sem escolher, sem resmungar, sem pedir descanso, contentando-se com a ração. Aos apóstolos, mártires e pastores valem-lhes os feitos, aos doutores, virgens e grandes santos cabem-lhes os merecimentos. Mas os burros apenas lá chegam pela fidelidade e diligência.
Existe ainda uma outra condição: é preciso reconhecer o tempo em que se é visitado (cf Lc 19, 44). Além de levar a carga tem de se compreender o que a carga tem dentro. É preciso perceber que no jugo que nos oprime está Jesus. O burro do Presépio levava uma mulher, como tantas outras. Mas a Senhora tinha dentro de si o Salvador. Era isso que fazia dele o burro do Presépio. Aqueles que pretenderem seguir os seus passos para chegar ao Céu têm de reconhecer que dentro de tudo o que levam na vida está o mesmo Jesus. Só assim a vida ganha sentido. Só assim a tarefa bruta, árdua, pesada que repetimos quotidianamente se torna caminho de salvação.

Aliás desta forma o caminho do burro do Presépio ganha uma grandeza que, em certa medida, é superior aos demais. Porque nem todos são apóstolos, poucos são pastores atentos e doutores sublimes, são raras as virgens puras e os santos incomparáveis. Mas todos, até esses, numa altura ou outra do caminho para o Céu, têm de passar pela tarefa do burro do Presépio. Todos os santos cumprem com fidelidade e diligência a tarefa que lhes está atribuída: "Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" (Mt 16, 24). Assim se entra no Céu, levando a carga da vida, reconhecendo nela a presença do Senhor: carregar a nossa cruz, de onde pende Cristo.

Esta é a grandeza do burro do Presépio, uma das mais notáveis da história da salvação. Mesmo que acabe na cavalariça, mas numa cavalariça do Céu. Mesmo que termine num estábulo, mas num estábulo transformado em Presépio pela presença do Senhor do universo. Do Senhor do universo que só se dignou deitar, não num palácio da Terra, mas numa manjedoura. Numa manjedoura de burro.

O Presépio podia existir sem vaca. Podia existir sem pastores, carneiros ou magos. Até podia existir sem S. José ou os Anjos. No Presépio existem apenas três personagens indispensáveis: Jesus, Maria e o burro. Jesus é o Deus que se faz homem, que muda o sentido do universo, que cria o Presépio. Maria é o caminho que Jesus escolheu para vir. O burro é o meio de lá chegarem. Sem Jesus o Presépio não havia. Sem Maria, Jesus não tinha nascido. Sem o burro, Maria não chegaria ao Presépio.

Esta importância volta a ver-se no final. Estas três são as únicas personagens do Presépio que estão na Paixão. Na Semana Santa já lá não está S. José, não se vêem os magos, pastores ou carneiros, nem sequer há vacas e os Anjos vêm de fugida. Está lá Jesus crucificado, a Senhora das Dores e o burro que leva o Rei no Domingo de Ramos. Até à glória da cavalariça celestial.

João César das Neves in DN online

Santa Missa em Vila da Ponte - IV Domingo do Advento














Papa no Angelus: “Quem perseverar até o fim será salvo”




  Cidade do Vaticano (RV) – No Angelus desta segunda-feira, no dia de Santo Estêvão, o primeiro mártir da Igreja, Bento XVI lembrou a trajetória do Santo, tido como o “mártir perfeito”, porque está escrito no Ato dos Apóstolos.

“Estêvão, cheio de graça e poder, fazia grandes prodígios e sinais entre o povo”.

Homem de oração e evangelizador, Estêvão, cujo nome significa “coroa”, recebeu de Deus o dom do martírio. De fato, ele “cheio de Espírito Santo…viu a glória de Deus”.

O Santo Padre explicou quem são os mártires para a Igreja. “Depois da geração dos Apóstolos, os mártires ganharam um lugar de destaque na consideração da Comunidade cristã. Nos tempos de maior perseguição, o seu louvor renova o difícil caminho dos fiéis e encoraja que está em busca da verdade para se converter ao Senhor. Por isso, a Igreja, por determinação divina, venera as relíquias dos mártires e os concede honras com nomes como ‘mestre da virtude’, ‘testemunhas vivas’, ‘colunas animadas’, ‘mensageiros silenciosos’”.

Bento XVI seguiu dizendo que “a verdadeira imitação de Cristo é o amor, que alguns escritores definiram como ‘martírio secreto’”. Ao citar São Clemente de Alexandria disse:

“Aqueles que colocam em prática os mandamentos do Senhor dão a Ele testemunho de cada ação, porque fazem aquilo que Ele quer e com fidelidade invocam o nome do Senhor”.

A mensagem do Papa finaliza com um chamado para superar as perseguições e provações da vida: “Quem perseverar até o fim será salvo”.

Benção Urbi et Orbi

«Tu és Meu Filho»

Em Jesus Cristo, o Filho de Deus, o próprio Deus Se fez homem. É a Ele que o Pai diz: «Tu és Meu Filho». O hoje eterno de Deus desceu ao hoje efémero do mundo e arrasta o nosso hoje passageiro para o hoje eterno de Deus.

Deus é tão grande que Se pode fazer pequeno. Deus é tão poderoso que Se pode tornar fraco e vir ao nosso encontro como Menino indefeso, para que O possamos amar. Deus é bom ao ponto de renunciar ao Seu esplendor divino e descer ao estábulo para que O possamos encontrar e para que, assim, a Sua bondade chegue também a nós, se nos comunique e continue a agir por nosso intermédio.

O Natal é isto: «Tu és Meu Filho, Eu hoje Te gerei». Deus tornou-Se um de nós, para que nós pudéssemos estar com Ele, tornar-nos semelhantes a Ele. Como próprio sinal, escolheu o Menino no presépio: Deus é assim. Deste modo, aprendemos a conhecê-Lo. E em todo o menino brilha algo da luz daquele hoje, da proximidade de Deus que devemos amar e à qual nos devemos submeter – em todo o menino, mesmo naquele que ainda não nasceu.

Bento XVI
Homília de 25/12/05

Bento XVI na bênção ‘Urbit et Orbi’ - "Deus que é amor quer salvar-nos através do caminho da reconciliação, do diálogo e da colaboração"


Feliz Natal para todos! O nascimento do Menino Jesus ilumine de alegria e paz vossos lares e Nações!

Com a formulação dos bons votos de Natal em 65 língua e a bênção apostólica à cidade de Roma e ao mundo (Urbi et Orbi) concluiu-se a celebração do Natal do Papa no Vaticano

Jesus Salvador, a invocar confiadamente, em todos os cantos do mundo, foi o tema e fio condutor da Mensagem natalícia do Papa, proferida precedentemente da varanda central da Basílica de S. Pedro com a praça de S. Pedro repleta de pessoas, para além dos milhões de outras, que o puderam escutar através da Rádio e da televisão.

“Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro!
Cristo nasceu para nós! Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados: a todos chegue o eco deste anúncio de Belém, que a Igreja Católica faz ressoar por todos os continentes, sem olhar a fronteiras nacionais, linguísticas e culturais. O Filho de Maria Virgem nasceu para todos; é o Salvador de todos.”


Bento XVI recordou uma antiga antífona litúrgica que invoca Jesus como “esperança e salvação dos povos”, suplicando-Lhe: “Vinde salvar-nos, Senhor nosso Deus».

“Vinde salvar-nos! Tal é o grito do homem de todo e qualquer tempo que, sozinho, se sente incapaz de superar dificuldades e perigos. Precisa de colocar a sua mão numa mão maior e mais forte, uma mão do Alto que se estenda para ele.
Amados irmãos e irmãs, esta mão é Jesus, nascido em Belém da Virgem Maria. Ele é a mão que Deus estendeu à humanidade, para fazê-la sair das areias movediças do pecado e segurá-la de pé sobre a rocha, a rocha firme da sua Verdade e do seu Amor”.


O nome “Jesus” significa precisamente «Salvador». Ele foi enviado para nos salvar sobretudo do mal mais profundo que está radicado no homem e na história: o mal que é a separação de Deus, o orgulho presunçoso de fazer como nos apetece, de fazer concorrência a Deus, substituindo-nos a Ele, no decidir o que é bem e o que é mal, com a pretensão de sermos senhores da vida e da morte.

“Este é o grande mal, o grande pecado, do qual nós, homens, não nos podemos salvar senão confiando-nos à ajuda de Deus, senão gritando por Ele: Vinde salvar-nos!»
O próprio facto de elevarmos ao Céu esta imploração já nos coloca na justa condição, já nos coloca na verdade do que somos nós mesmos: realmente nós somos aqueles que gritaram por Deus e foram salvos”.


Deus é o Salvador; nós, aqueles que se encontram em perigo. Ele é o médico, nós os doentes. O facto de reconhecer isto mesmo é o primeiro passo para a salvação, para a saída do labirinto onde nós mesmos, com o nosso orgulho, nos encerramos. Levantar os olhos para o Céu, estender as mãos e implorar ajuda é o caminho de saída, contanto que haja Alguém que escute e possa vir em nosso socorro. Ora – sublinhou o Papa – Jesus é a prova de que Deus escutou o nosso grito. A resposta que Deus deu, em Cristo, ao grito do homem, supera infinitamente as nossas expectativas, chegando a uma solidariedade tal que não pode ser simplesmente humana, mas divina. O Deus que é amor quer salvar-nos através do caminho da reconciliação, do diálogo e da colaboração.

Bento XVI convidou pois todos a unirem-se a Ele, neste Natal de 2011, dirigindo-se ao Filho da Virgem Maria com a invocação «Vinde salvar-nos»! E isso em união com tantas pessoas em situações particularmente difíceis, dando voz a quem a não tem. Começando pelos habitantes do Nordeste Africano, que enfrentam a fome e a insegurança…

Juntos, invoquemos o socorro divino para as populações do Corno de África, que padecem fome por causa das carestias, por vezes ainda agravadas por um estado persistente de insegurança. A comunidade internacional não deixe faltar a sua ajuda aos numerosos refugiados vindos daquela Região, duramente provados na sua dignidade.

O Senhor dê conforto às populações do Sudeste asiático, particularmente da Tailândia e das Filipinas, que se encontram ainda em graves situações de emergência devido às recentes inundações.

O Papa não esqueceu a Terra Santa, a Síria, o Iraque, o Afeganistão… invocando em favor destas populações, Jesus, Salvador, Príncipe da Paz:

Ele, que é o Príncipe da Paz, dê paz e estabilidade à Terra onde escolheu vir ao mundo, encorajando a retoma do diálogo entre israelitas e palestinianos. Faça cessar as violências na Síria, onde já foi derramado tanto sangue. Favoreça a plena reconciliação e a estabilidade no Iraque e no Afeganistão.

Dê um renovado vigor, na edificação do bem comum, a todos os componentes da sociedade nos países do Norte da África e do Médio Oriente.

O nascimento do Salvador sustente as perspectivas de diálogo e colaboração no Myanmar à procura de soluções compartilhadas. O Natal do Redentor garanta a estabilidade política nos países da região africana dos Grande Lagos e assista o empenho dos habitantes do Sudão do Sul na tutela dos direitos de todos os cidadãos.

E Bento XVI concluiu a sua Mensagem “Urbi et Orbi” deste Natal 2011 convidando a dirigir o olhar para a Gruta de Belém, para o Menino que é a nossa salvação, que trouxe ao mundo uma mensagem universal de reconciliação e de paz. “Abramos- Lhe o nosso coração – concluiu o Papa, acolhamo-Lo na nossa vida. Repitamos-Lhe com confiada esperança: «Veni ad salvandum nos». Vinde salvar-nos!”

Rádio Vaticano

O Evangelho do dia 26 de Dezembro de 2011


Acautelai-vos dos homens, porque vos farão comparecer nos seus tribunais e vos açoitarão nas sinagogas. Sereis levados por Minha causa à presença dos governadores e dos reis, para dar testemunho diante deles e diante dos gentios. Quando vos entregarem, não cuideis como ou o que haveis de falar, porque naquela hora vos será inspirado o que haveis de dizer. Porque não sereis vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai é o que falará em vós. O irmão entregará à morte o seu irmão e o pai o seu filho; os filhos se levantarão contra os pais e lhes darão a morte. Vós, por causa do Meu nome, sereis odiados por todos; aquele, porém, que perseverar até ao fim será salvo.

Mt 10, 17-22