Bem Vindo ao Blog da Paróquia de Vila da Ponte -Arciprestado de Sernancelhe - Diocese de Lamego
"A opção fundamental da Vida de um Cristão é acreditar no Amor de Deus" Bento XVI
domingo, 4 de dezembro de 2011
sábado, 3 de dezembro de 2011
Lamego: Evangelizar e ouvir a população são prioridades do novo bispo
Desertificação da diocese «é uma realidade a que não se pode fugir», considera D. António Couto
O novo bispo de Lamego, D. António Couto, estabeleceu como prioridades o anúncio da mensagem cristã e a auscultação da população, antes de definir os projetos para uma diocese com cada vez menos pessoas.
“A grande missão de um bispo, do seu presbitério e de todo o povo de Deus que lhe está confiado, seja em que região, língua ou cultura for, terá de ser sempre levar Jesus Cristo ao coração das pessoas. E é isso que eu pretendo”, vincou o responsável em entrevista ao programa ECCLESIA na RTP-2.
O prelado que a 29 de janeiro toma posse da diocese lamecense, no norte de Portugal, sublinha que a “grande maioria” dos europeus foi batizada mas em termos “de coração cristão” o Velho Continente tem “pouca gente”.
“Que não se seja só cristão porque um dia se foi batizado e está registado nos livros, mas que se seja cristão com a vida. É este o cristianismo que nos interessa”, frisou o também presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização.
O bispo que já foi superior dos Missionários da Boa Nova vai encontrar um território que está a perder a identidade cristã, especialmente no domínio da família, segundo o padre José Melo, coordenador de um estudo sócio religioso realizado pela diocese.
As conclusões da investigação apontam para um “processo de grande desertificação e, associado a ele, a descristianização”, pelo que as “as referências cristãs estão a diluir-se com um grau acentuado”, relatou à ECCLESIA.
O sacerdote explicou que os efeitos do desaparecimento gradual do catolicismo têm “incidência especial na família”, que além de “desestruturada” adquire “novas configurações um tanto alheias à índole cristã”.
D. António Couto considerou que a desertificação da diocese é uma “realidade a que não se pode fugir” e salientou que a sua “primeira linha de rumo” em qualquer lado é “ir ter com as pessoas” e “ver quais são os seus problemas”.
Só depois avançará com projetos para “avivar o cristianismo”, em conjunto com os fiéis, dado que não gosta de “trabalhar sozinho”.
PTE/RJM
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São Francisco Xavier
Xavier: a semente de Deus no Oriente
São Francisco Xavier foi um grande missionário. Dedicou os últimos 11 anos da sua vida a evangelizar a Índia, o sudeste asiático e o Japão, num incrível périplo que deixou à sua passagem a semente de Cristo a partir da qual começaram a crescer as comunidades cristãs. O santo navarro é padroeiro das missões e da Jornada Mundial da Juventude de Madrid.
Francisco Xavier nasceu em 1506 no castelo familiar, muito próximo da capital navarra, Pamplona. De família abastada, os seus pais enviaram-no a estudar a Paris, em cuja universidade veio a conhecer Santo Inácio de Loyola. Num primeiro momento apenas tem um contacto formal com o vasco, mas através de amigos comuns Xavier aproxima-se de Inácio. O fundador dos Jesuítas interpela-o a viver uma vida de plenitude, que só é possível com uma entrega total a Cristo. Xavier resiste, até que finalmente aceita o convite de Inácio para assistir a um retiro especial. Trata-se dos ‘exercícios espirituais’ jesuítas, o principal de todos, no qual – dirigido por Inácio - Xavier fica profundamente tocado e decidido a seguir Cristo.
A Companhia de Jesus
Xavier forma parte dos sete primeiros seguidores de Santo Inácio, consagrados a Deus em 1534. O plano de Inácio é o de viajar para a Terra Santa, mas acaba abandonando o projecto. Xavier é enviado em 1540 para a Índia. Para isso é necessário partir de Lisboa. O rei tem-no em tão grande estima devido à sua fama de santidade que o retém durante um ano. Finalmente em 1541 parte para o Oriente.
O barco de Xavier demora 13 meses a chegar ao seu destino, tempo no qual exerce a tarefa de director espiritual da embarcação. Finalmente chegam à colónia portuguesa de Goa em 6 de Maio de 1542.
Xavier encontra nas colónias um ambiente de abandono da prática religiosa e um abuso dos nativos, que são tratados como escravos ou como seres inferiores. Xavier denuncia isto em diversas ocasiões perante as autoridades locais, chegando inclusivamente a insistir com o rei de Portugal para que tomasse medidas contra os abusos. Xavier revela nas suas cartas que o trato dos cristãos de origem europeia para com os seus irmãos indígenas é “uma espinha cravada no meu coração”.
O ardor missionário de Xavier fá-lo viajar pelas diferentes colónias portuguesas do Oriente nesses anos. Ele visita a tribo dos Paravas que vive na costa de Ceilão, Malásia, Indonésia, a tribo das Molucas… e muitas outras.
Japão e China
Japão é o próximo objectivo do missionário navarro para onde parte em 1549. No Japão consegue a conversão de milhares de pessoas, ajudado por três japoneses que conheceu na Índia. Xavier viaja de cidade em cidade: Kagoshima, Hirado, Yamaguchi, Kioto, são testemunhas do apostolado de Xavier que deixa uma fecunda comunidade cristã que permaneceu através dos séculos até aos nossos dias.
1552 registou o regresso de Xavier à Índia, a partir de onde se multiplica para atender as diferentes colónias. Na sua ausência os abusos para com os indígenas aumentaram e Xavier concentra a sua preocupação em corrigir esses abusos e confirmar na fé os seus irmãos. Ali conhece um jovem chinês. A sua terra desperta o desejo do missionário para ir lá pregar a Palavra de Deus. Em Abril de 1552 parte para a China, um país até ao momento inacessível para os estrangeiros.
A sua ideia é desembarcar na ilha de Sancián, frente à costa chinesa e introduzir-se furtivamente no país, mas os seus planos não correm como esperava.
Xavier contrai uma febre que o deixa muito doente na ilha, é acolhido por um comerciante português, que o recebe numa cabana sem condições. De modo que, passadas poucas semanas naquele estado, em 3 de Dezembro de 1552 entrega a sua alma a Deus às portas da China.
Xavier entregou-se a Deus sem reservas. Como todos, se num primeiro momento resistiu a una vida de exigência, de anúncio da Palavra, depois aceitou a vontade de Deus para ser o seu instrumento. As comunidades cristãs do Oriente fundadas ou confirmadas pelo santo permanecem até hoje.
São Francisco Xavier foi canonizado em 1622, como aconteceu com Inácio de Loyola, Teresa de Jesus, Filipe Neri e Isidro o Lavrador.
Data de Nascimento: 07 de
Abril de 1506; Castelo de Xavier, Navarra, Espanha.
Dia litúrgico: 3 de Dezembro
Causa da morte: Febre contraída durante a actividade missionária na China.
Título na Igreja: Apóstolo do Extremo Oriente.
Conhecido por: Ser um gigante na história das missões, baptizando mais de 50.000 pessoas de todas as raças e idades, desde crianças até estudantes universitários, de pobres leprosos a reis saudáveis.
Evangelizador em: Toda a Ásia, África, as Índias Orientais.
Padroeiro de: Missões ad gentes, missionários, navegantes, missões paroquiais, Austrália, China, Índia, Japão e Nova Zelândia.
Virtudes a imitar: Permitir que Deus se sirva dele para pregar o Evangelho e servir a humanidade onde Ele quiser, não deixar que os estudos tenham prioridade sobre a vida espiritual, trabalhar incansavelmente para instaurar o Reino de Deus na terra, mesmo em circunstâncias difíceis.
Sabia que.? São Francisco Xavier estudou com Santo Inácio de Loyola, na Universidade de Paris. São Francisco vivia uma vida mundana e converteu-se quando Santo Inácio lhe disse estas palavras do Evangelho: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma" (Mc 8,26).
Dia litúrgico: 3 de Dezembro
Causa da morte: Febre contraída durante a actividade missionária na China.
Título na Igreja: Apóstolo do Extremo Oriente.
Conhecido por: Ser um gigante na história das missões, baptizando mais de 50.000 pessoas de todas as raças e idades, desde crianças até estudantes universitários, de pobres leprosos a reis saudáveis.
Evangelizador em: Toda a Ásia, África, as Índias Orientais.
Padroeiro de: Missões ad gentes, missionários, navegantes, missões paroquiais, Austrália, China, Índia, Japão e Nova Zelândia.
Virtudes a imitar: Permitir que Deus se sirva dele para pregar o Evangelho e servir a humanidade onde Ele quiser, não deixar que os estudos tenham prioridade sobre a vida espiritual, trabalhar incansavelmente para instaurar o Reino de Deus na terra, mesmo em circunstâncias difíceis.
Sabia que.? São Francisco Xavier estudou com Santo Inácio de Loyola, na Universidade de Paris. São Francisco vivia uma vida mundana e converteu-se quando Santo Inácio lhe disse estas palavras do Evangelho: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma" (Mc 8,26).
Fonte: página oficial JMJ
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Catequese do Papa: a bondade do Senhor
Queridos irmãos e irmãs:
Hoje, gostaria de meditar convosco um Salmo que resume toda a história
de que o Antigo Testamento nos dá testemunho. Trata-se de um grande
hino de louvor, que celebra o Senhor nas múltiplas e repetidas
manifestações da sua bondade ao longo da história dos homens; é o Salmo 136 – ou 135, segundo a tradição greco-latina.
Solene oração de ação de graças, conhecida como o "Grande Hallel", este
Salmo é cantado tradicionalmente no final da ceia pascal judaica e foi,
provavelmente, também rezado por Jesus na última Páscoa celebrada com
seus discípulos; a isso, parece de fato aludir a anotação dos
Evangelistas: "Depois de terem cantado o hino, foram para o Monte das
Oliveiras" (Mt 26, 30; Mc 14, 26). O horizonte do louvor ilumina, assim, o difícil caminho para o Gólgota. Todo o Salmo 136
executa-se na forma de ladainha, cantada por repetição antifonal
"porque o seu amor é para sempre". Ao longo do poema, são enumeradas as
muitas maravilhas de Deus na história humana e as suas intervenções em
curso em favor de seu povo; e a cada proclamação da ação salvífica do
Senhor responde a antífona com a motivação fundamental do louvor: o
amor eterno de Deus, um amor que, de acordo com o termo hebraico
utilizado, implica fidelidade, misericórdia, bondade, graça, ternura.É
esse o motivo unificador de todo o Salmo, repetido de forma sempre
gradual, enquanto mudam as suas manifestações pontuais e
paradigmáticos: a criação, a libertação do Êxodo, o dom da terra, a
ajuda providente e constante do Senhor com relação a seu povo e toda a
criatura.
Após um tríplice convite a dar graças a Deus soberano (vv. 1-3),
celebra-se o Senhor como Aquele que faz "grandes maravilhas" (v. 4), a
primeira das quais é a criação: os céus, a terra , as estrelas (vv.
5-9). O mundo criado não é um simples cenário em que se insere o agir
salvífico de Deus, mas é o início mesmo desse agir maravilhoso. Com a
criação, o Senhor se manifesta em toda a sua bondade e beleza,
compromete-se com a vida, revelando um desejo pelo bem do qual surge
cada um dos outros atos de salvação. E, em nosso Salmo, ecoando o
primeiro capítulo do Gênesis,
o mundo criado é sintetizado em seus principais elementos, com
particular ênfase nos astros, no sol, na lua, nas estrelas, criaturas
magníficas que governam o dia e a noite. Não se fala aqui da criação do
ser humano, mas ele está sempre presente; o sol e a lua existem para
ele – para o homem –, para marcar o tempo do homem, colocando-o em
relação com o Criador, sobretudo através da indicação dos tempos
litúrgicos.
E é exatamente a festa da Páscoa que é evocada logo após, quando,
passando pela manifestação de Deus na história, começa com o grande
acontecimento da libertação da escravidão egípcia, do Êxodo, traçado em
seus elementos mais significativos: a libertação do Egito com a praga
dos primogênitos egípcios, a saída do Egito, a passagem do Mar
Vermelho, o caminho no deserto até a entrada na Terra Prometida (vv.
10-20). Estamos no momento original na história de Israel. Deus
interveio poderosamente para levar o seu povo à liberdade; através de
Moisés, seu enviado, impôs-se ao Faraó, revelando-se em toda a sua
grandeza, e, finalmente, quebrou a resistência dos egípcios com o
terrível flagelo da morte dos primogênitos. Assim, Israel pode deixar o
país da escravidão, com o ouro dos seus opressores (cf. Ex 12,35-36), "de cabeça erguida" (Ex 14,
8), regozijando-se no sinal da vitória. Também no Mar Vermelho o Senhor
age com misericordioso poder. Frente a um Israel amedrontado por ver os
egípcios que os perseguem, a ponto de se arrependerem de terem deixado
o Egito (cf. Ex 14,10-12), Deus, como diz o Salmo, "dividiu o
Mar Vermelho em duas partes [...],fez passar Israel em seu meio [...] e
derrubou o Faraó e seu exército" (vv. 13-15). A imagem do Mar Vermelho
"dividido" em dois parece evocar a ideia do mar como um grande monstro
que é cortado em dois pedaços e, assim, torna-se inócuo. O poder do
Senhor vence a periculosidade das forças da natureza e daquelas
militares, colocadas em campo pelos homens: o mar, que parecia barrar o
caminho para o povo de Deus, deixa passar Israel a pé enxuto, e, em
seguida, fecha-se sobre os egípcios abatidos. "A mão poderosa e braço
estendido" do Senhor (cf. Dt 5,15, 7,19, 26,8) mostram-se
assim em toda a sua força salvífica: o injusto opressor foi vencido,
engolido pelas águas, enquanto o povo de Deus "passa" para continuar
sua jornada para a liberdade.
A esse caminho faz, agora, referência o nosso Salmo, recordando com uma
frase brevíssima o longo peregrinar de Israel até a terra prometida:
"Conduziu seu povo no deserto, porque o seu amor é para sempre" (v.
16). Essas poucas palavras contêm uma experiência de quarenta anos, um
tempo decisivo para Israel, que, deixando-se guiar pelo Senhor, aprende
a viver na fé, na obediência e na docilidade à lei de Deus. São anos
difíceis, marcados pela dureza da vida no deserto, mas também anos
felizes, de confiança no Senhor, de confiança filial; é o tempo da
"juventude", como o define o profeta Jeremias falando a Israel, em nome
do Senhor, com expressões cheias de ternura e nostalgia: "Lembro-me de
tua afeição quando eras jovem, de teu amor de noivado, no tempo em que
me seguias ao deserto, à terra sem sementeiras" (Jr 2,
2). O Senhor, como o pastor do Salmo 23, que contemplamos em uma
catequese, por quarenta anos guiou o seu povo, educou-o e amou-o,
conduzindo-o para a terra prometida, vencendo também as resistências e
a hostilidade dos povos inimigos que queriam obstruir o caminho da
salvação (cf. vv. 17-20).
No desenrolar das "grandes maravilhas" que o nosso Salmo enumera,
chega-se assim ao momento do dom conclusivo, no cumprimento da promessa
divina feita aos Padres: "Deu a sua terra por herança, porque p seu
amor é para sempre; em herança a Israel, seu servo, porque o seu amor é
para sempre" (vv. 21-22). Na celebração do amor eterno do Senhor,
faz-se agora uma memória do dom da terra, um presente que o povo deve
receber sem nunca apossar-se dela, vivendo continuamente em uma atitude
de aceitação agradecida e grata. Israel recebe o território em que
habitar como "herança", um termo que designa de modo genérico a posse
de um bem recebido de outro, um direito de propriedade que,
especificamente, faz referência ao patrimônio paterno. Uma das
prerrogativas de Deus é a de "dar"; e agora, no final do caminho do
Êxodo, Israel, destinatário do dom, como um filho, entra na terra da
promessa cumprida. Terminou o tempo da peregrinação sob as tendas, numa
vida marcada pela precariedade. Agora, começou o tempo feliz da
estabilidade, da alegria de construir as casas, de plantar as vinhas,
de viver em segurança (cf. Dt 8,7-13).
Mas é também o tempo da tentação idolátrica, da contaminação com os
pagãos, da autossuficiência que faz esquecer a Origem do dom. Por isso,
o Salmista menciona a humilhação e os inimigos, uma realidade da morte
em que o Senhor, mais uma vez, revela-se como Salvador: "Na nossa
angústia, recordou-se de nós, porque o seu amor é para sempre;
libertou-nos dos nossos adversários, porque o seu amor é para sempre"
(vv. 23-24).
Neste ponto surge a pergunta: como podemos fazer deste Salmo uma oração
nossa, como podemos apropriar-nos, para a nossa oração, deste Salmo?
Importante é a estrutura do Salmo, no início e no fim: a criação.
Voltaremos a este ponto: a criação como grande dom de Deus do qual
vivemos, no qual Ele se revela em sua bondade e grandeza. Portanto, ter
presente a criação como dom de Deus é um ponto comum para todos
nós.Depois segue a história da salvação. Naturalmente, nós podemos
dizer: essa libertação do Egito, o tempo do deserto, a entrada na Terra
Santa e, em seguida, os outros problemas, que estão muito longe de nós,
não são a nossa história.Mas devemos estar atentos à estrutura
fundamental desta oração. A estrutura fundamental é que Israel
recorda-se da bondade do Senhor.Nessa história, há muitos vales
escuros, há muitas passagens de dificuldade e morte, mas Israel
recorda-se de que Deus era bom e, então, consegue sobreviver neste vale
escuro, neste vale da morte, porque se recorda do Senhor. Israel tem a
memória da bondade do Senhor, de seu poder; sua misericórdia é para
sempre. E isso é importante também para nós: ter uma memória da bondade
do Senhor. A memória torna-se uma força de esperança. A memória nos
diz: Deus existe, Deus é bom, eterna é a sua misericórdia. E assim a
memória abre, mesmo na escuridão de um dia, de um período, a estrada
para o futuro: é luz e estrela que nos guia. Também nós temos uma
memória do bem, do amor misericordioso, eterno de Deus. A história de
Israel já é uma memória também para nós, como Deus se mostrou e criou
seu próprio povo. Depois, Deus se fez homem, um de nós: viveu conosco,
sofreu conosco, morreu por nós. Permanece conosco no Sacramento e na
Palavra. É uma história, uma memória da bondade de Deus, que nos
assegura a sua bondade: o seu amor é eterno. E, depois, também nestes
dois mil anos da história da Igreja, existe sempre, de novo, a bondade
do Senhor. Após o período obscuro da perseguição nazista e comunista,
Deus libertou-nos, mostrou-nos que é bom, que tem força, que a sua
misericórdia é para sempre. E, como na história comum, coletiva, está
presente esta memória da bondade de Deus, essa ajuda-nos, torna-se uma
estrela de esperança, ainda que cada um tenha a sua história pessoal de
salvação, e devemos realmente valorizar essa história, ter sempre a
memória das grandes coisas que Ele fez na nossa vida, para ter
confiança: a sua misericórdia é eterna. E se, hoje, estamos na noite
escura, amanhã Ele nos liberta, porque a sua misericórdia é eterna.
Retornemos ao Salmo, porque, no final, ele retorna à criação. O Senhor
– assim diz – "dá alimento a toda a carne, porque o seu amor é para
sempre" (v. 25). A oração do Salmo conclui-se com um convite ao louvor:
"Dai graças ao Deus dos céus, porque o seu amor é para sempre". O
Senhor é Pai bom e providente, que dá herança aos seus filhos e dá a
todos o alimento para viver.O Deus que criou os céus e a terra e os
grandes luminares celestes, que entra na história humana para trazer a
salvação para todos os seus filhos, é o Deus que preenche o universo
com a sua presença de bem, cuidando de nossa vida e dando-nos o pão. O
poder invisível do Criador e Senhor cantado no Salmo revela-se na
pequena visibilidade do pão que nos dá, com o qual nos faz viver. E
assim esse pão de cada dia simboliza e sintetiza o amor de Deus como
Pai, e abre-nos para o cumprimento do Novo Testamento, aquele "pão da
vida", a Eucaristia, que nos acompanha na nossa existência de crentes,
antecipando a alegria definitiva do banquete messiânico no céu.
Irmãos e irmãs, o louvor benedicente do Salmo 136
fez-nos reconstituir as etapas mais importantes da história da
salvação, até chegar ao mistério pascal, em que a ação salvífica de
Deus atinge o seu ápice. Com alegria, celebremos, portanto, o Criador,
Salvador e Pai fiel, que "amou tanto o mundo que deu o seu Filho
unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a
vida eterna" (Jo 3, 16). Na plenitude dos tempos, o Filho de
Deus se fez homem para dar a sua vida pela salvação de cada um de nós,
e dá-se como pão no mistério eucarístico para fazer-nos entrar na sua
aliança, que nos torna filhos. A esse ponto chega a bondade
misericordiosa de Deus e a sublimidade do seu "amor para sempre".
Quero, por isso, concluir esta Catequese fazendo minhas as palavras que São João escreve em sua Primeira Carta e
que deveremos sempre manter presentes na nossa oração: "Considerai com
que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E
nós o somos de fato" (I Jo 3, 1). Obrigado.
[No final da audiência, Bento XVI saudou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]
Queridos irmãos e irmãs:
Hoje queria meditar convosco o salmo 136, um solene hino de louvor que
celebra as inúmeras manifestações de bondade do Senhor para com os
homens. Conhecido como o “Grande Hallel”, este salmo é cantado
tradicionalmente no final da Ceia pascal hebraica; isso mesmo deve ter
feito o próprio Jesus na Última Ceia com seus discípulos. A antífona
“eterno é o seu amor” acompanha a narração dos diversos prodígios de
Deus na história. De fato, a motivação fundamental do louvor é o amor
eterno de Deus: um amor manifestado já desde o início da criação e que
vai se reafirmando nos prodígios do Êxodo, na longa travessia do
deserto, na conquista da terra prometida, nos momentos de humilhação e
desgraça. Por fim, o Salmo louva a bondade de Deus, “que a todo ser
vivente alimenta”. Assim, sintetiza o amor paternal de Deus por nós e
abre-nos à promessa da Eucaristia, o alimento que acompanha a nossa
caminhada de fé.
Amados peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos saúdo
com grande afeto e alegria, de modo especial a quantos vieram do Brasil
com o desejo de encontrar o Sucessor de Pedro. “Vede que grande
presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o
somos!” Possa Ele sempre vos abençoar a vós e as vossas famílias! Ide
em paz!
[Tradução: Canção Nova.
©Libreria Editrice Vaticana]
II Domingo do Advento - Leituras
Trata-se de um texto altamente poético, destinado a consolar
o povo de Deus então no exílio. Usa imagens, como estepe, caminho, deserto,
montes, colinas... Para advertir da necessidade de transpor as dificuldades e
preparar a vinda do Messias. Esteja atento(a) à pronúncia de algumas palavras:
“estepe” (leia «istépe»); «magnificência» e não “magnificência”; «precede-o» e
não «procede-o». Tenha em conta o ritmo do texto. E lembre-se que, neste dia, é
o arauto, que diante da assembleia, proclama boas novas. Ponha-se em posição de
quem traz boas notícias e não tem microfone para as divulgar!
1ª
leitura:
Leitura do Livro de
Isaías
Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus.
Falai ao coração de Jerusalém e dizei-lhe em alta voz
que terminaram os seus trabalhos
e está perdoada a sua culpa,
porque recebeu da mão do Senhor
duplo castigo por todos os seus pecados.
Uma voz clama:
«Preparai no deserto o caminho do Senhor,
abri na estepe uma estrada para o nosso Deus.
Sejam alteados todos os vales
e abatidos os montes e as colinas;
endireitem-se os caminhos tortuosos
e aplanem-se as veredas escarpadas.
Então se manifestará a glória do Senhor
e todo o homem verá a sua magnificência,
porque a boca do Senhor falou».
Sobe ao alto dum monte, arauto de Sião!
Grita com voz forte, arauto de Jerusalém!
Levanta sem temor a tua voz e diz às cidades de Judá:
«Eis o vosso Deus.
O Senhor Deus vem com poder,
o seu braço dominará.
Com Ele vem o seu prémio,
precede-O a sua recompensa.
2ª leitura: Eis um apelo moral, que
requer do leitor calma e um certo sentido de «explicação». As imagens do «fogo»
não são para assustar, mas para iluminar a esperança do Povo de Deus. Tenha
cuidado com a pronúncia de algumas palavras: «pereça» (= morra) e não «pareça»;
«fragor», leia-se «fragor»; «ardor».
A conclusão «portanto, caríssimos» deve ser antecedida de uma pausa maior.
A conclusão «portanto, caríssimos» deve ser antecedida de uma pausa maior.
Leitura da Segunda Epístola de São Pedro
Há uma coisa, caríssimos, que não deveis esquecer:
um dia diante do Senhor é como mil anos
e mil anos como um dia.
O Senhor não tardará em cumprir a sua promessa,
como pensam alguns.
Mas usa de paciência para convosco
e não quer que ninguém pereça,
mas que todos possam arrepender-se.
Entretanto, o dia do Senhor virá como um ladrão:
nesse dia, os céus desaparecerão com fragor,
os elementos dissolver-se-ão nas chamas
e a terra será consumida com todas as obras que nela existem.
Uma vez que todas as coisas serão assim dissolvidas,
como deve ser santa a vossa vida e grande a vossa piedade,
esperando e apressando a vinda do dia de Deus,
em que os céus se dissolverão em chamas
e os elementos se fundirão no ardor do fogo!
Nós esperamos, segundo a promessa do Senhor,
os novos céus e a nova terra,
onde habitará a justiça.
Portanto, caríssimos, enquanto esperais tudo isto,
empenhai-vos, sem pecado nem motivo algum de censura,
para que o Senhor vos encontre na paz.
Palavra do Senhor.
Oração
dos Fiéis
P-
Escutemos o que diz o Senhor: Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis.
A sua salvação está perto dos que O temem e a sua
glória habitará na nossa terra.
Peçamos-lhe então os melhores frutos da sua vinda
e cantemos (ou rezemos):
Mostrai-nos o vosso amor e dai-nos a vossa
salvação!
1.
Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor e fazei
germinar da boa terra da Igreja, a graça da fidelidade!
Refrão cantado: Mostrai-nos
o vosso amor e dai-nos a vossa salvação!
2.
Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor e fazei
descer do céu à terra deste nosso mundo, a grandeza da vossa justiça!
Refrão
cantado: Mostrai-nos o vosso amor e dai-nos a vossa salvação!
3.
Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor e fazei de
todos os que sofrem testemunhas silenciosas da vossa santa paciência!
Refrão
cantado: Mostrai-nos o vosso amor e
dai-nos a vossa salvação!
4.
Mostrai-nos o vosso amor e fazei de nós
arautos da vossa Paz, num mundo ferido de ódios e violências!
Refrão cantado: Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor e dai-nos
a vossa salvação!
P-
Concedei, Deus omnipotente e misericordioso, que os cuidados deste mundo não
sejam obstáculo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo, mas que a
sabedoria do alto nos leve a participar no esplendor da sua glória. Ele que é
Deus convosco na unidade do Espírito Santo. (cf. oração coleta deste domingo).
II Domingo de Advento B 2011
1. «Consolai, consolai o meu Povo! Falai ao coração»! Eis o imperativo de um verdadeiro diálogo, em que a verdade a caridade andam juntas, em que a inteligência e o amor, caminham de mãos dadas! É um imperativo, que soa e ressoa, como verdadeira «boa nova» (Mc.1,1), no vasto deserto da solidão, que hoje se vive, a começar pelo isolamento que se verifica dentro das quatro paredes de uma casa, sem calor humano, onde as pessoas deixaram de falar ou de se falar! Dizer que não há tempo, para dialogar é o mesmo que afirmar que não há tempo para estar casado, nem tempo, para criar laços e construir uma família!
2. Permiti-me recordar-vos, desde já, algumas condições, para que esse diálogo não transforme a nossa linguagem “numa fonte de mal-entendidos”, mas se torne um espaço de acolhimento do outro e doação ao outro, de escuta e de presença, de comunicação do coração ao coração!
1º Primeiro, a clareza, para que todas as palavras e gestos sejam compreendidos por ambas as partes. Esta clareza supõe atenção ao que se diz e atenção ao que o outro diz. Esta clareza exige falar verdade. Faltar à sinceridade é destruir, pela base, qualquer diálogo!
2º Outra característica é a mansidão, aprendida na escola de Cristo, como Ele nos recomendou: “aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29). O diálogo não é orgulhoso, não é altivo, não é ofensivo. A autoridade vem-lhe da verdade que expõe, da caridade que difunde, do exemplo que propõe; é proposto, não é imposto. O diálogo é pacífico, evita os modos violentos, é paciente e é generoso. Por isso, ele supõe a humildade, adisposição para reconhecer com apreço a parte de verdade que o outro tem e a parte de erro ou culpa que eu possa ter.
3º Outra condição do diálogo é a confiança, a boa fé, a recta intenção, com que cada parte para a conversa, sem preconceitos, aceitando o outro, respeitando-o e colocando-se do seu lado, para compreender o seu ponto de vista. Só a confiança facilita a partilha de sentimentos, de vivências, de confidências, e enlaça os corações, numa adesão mútua ao Bem e à verdade, sem interesses egoístas.
4º O diálogo supõe a prudência: é preciso saber as condições psicológicas e morais, daquele(s) com quem quero falar: se é criança, se é inculto, se está indisposto, se parte para a conversa desconfiado ou hostil. Essa prudência leva a tomar pulso à sensibilidade alheia e a modificarmos as nossas palavras e modos, para não sermos desagradáveis, nem incompreensíveis.
5º Saibamos ainda preparar um diálogo sério com o outro, conversando primeiro com Deus, pedindo-lhe discernimento e sabedoria, para aquilo que queremos compreender, propor, mudar ou alcançar. Tomemos como guia e inspiração do diálogo com o outro, não as nossas opiniões, razões e vontades, mas uma palavra do evangelho. E peçamos a Deus que seja Ele a preparar a hora, o modo e o lugar, para um diálogo frutuoso na paz.
3. Custa muito chegar a um verdadeiro diálogo. E por isso, o diálogo exige uma espécie de “martírio da paciência”, o esforço e a coragem de todos os dias, para ir ao encontro do outro, em diálogos frequentes, prolongados e sinceros. Esta arte do diálogo – caríssimos casais, pais e filhos - exige tempo, muito tempo, paciência, muita paciência, para ser tomado a sério e retomado, uma e outra vez e mais uma vez, sem quebrar o fio frágil da comunicação! Não por acaso, alguém nos disse que a «paciência é a última porta da sabedoria» (Agustina Bessa-Luís), é mesmo «a medula do amor» (Sta. Catarina), no relacionamento com os outros. E São Paulo, no hino à caridade, fala-nos da paciência, como primeiro atributo do amor!
4. Irmãos e irmãs: “Parece-me muito importante, nos dias de hoje, ressaltar o valor da paciência, virtude que pertencia à bagagem normal dos nossos pais, mas que hoje é menos popular, num mundo que exalta a mudança e a capacidade de se adaptar a situações sempre novas e diversas. Sem tirar nada a estas qualidades, o Advento chama-nos a incrementar a paciência, aquela tenacidade interior, aquela resistência do ânimo que nos permitem não desesperar, na expectativa de um bem que demora para chegar, mas a esperá-lo, aliás, a preparar a sua vinda, com confiança laboriosa” (Bento XVI).
5. Diálogo e paciência: eis então duas palavras mais, a gravar no guarda-chuva, mas sobretudo a escrever no diário íntimo da nossa vida familiar!
Caríssimo pai ou mãe, caríssimo casal, querido (a) filho (a): neste tempo, que te é dado, oferece o tempo, para os outros. E comunica, na verdade e na caridade paciente, de acordo com este repetido apelo de Santo Agostinho: “Se calas, cala por amor. Se falas, fala por amor. Se corriges, corrige por amor. Se perdoas, perdoa por amor. Põe no fundo do coração, a raiz do amor. Dessa raiz não pode crescer senão o bem”.
E lembra-te sempre do fruto mais precioso do diálogo e da paciência é o de criar laços: «foi o tempo que gastaste com a rosa, que tornou a tua rosa tão importante»! (Saint Éxupery, O Principezinho).
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Coroa do Advento 2011

Coroa do Advento da Nossa Paróquia - 2011
COROA
DE ADVENTO
Significado e uso
da Coroa de Advento
Descrição
Consiste numa
coroa feita com ramos verdes e flores, na qual se inserem 4 velas, que
significam as 4 semanas de preparação para o Natal, ou seja, o Advento.
Trata-se de um
suporte, normalmente redondo, com um aro de arame ou madeira, revestido de
ramos vegetais (azevinho) ou de musgo: ou seja, uma coroa entrançada com uma verdura que
se conserva, como os fetos. Sem flores. Sobre ela colocam-se quatro velas
novas, de cor uniforme ou variada, como se prefira. A coroa coloca-se sobre uma
mesa, ou sobre um tronco de árvore, ou pendura-se elegantemente do tecto.
As 4 velas são
acesas à medida que os 4 domingos de Advento se vão cumprindo. No início
da primeira semana de Advento acende-se uma vela. No segundo Domingo, duas. E
assim sucessivamente até que, nas vésperas do Natal e no quarto Domingo, já
estão acesas em todas as celebrações (dominicais e diárias) as quatro velas.
Umas, naturalmente, gastaram-se mais que outras. [Também pode colocar-se uma
quinta vela, branca no centro, na Noite de Natal: para expressar que o Advento
foi tempo de preparação e é mais importante o Natal, com as suas duas grandes
semanas. Pode-se juntar também uma imagem do Menino, dentro da própria coroa de
Advento.]
História
É de origem
germânica. No Inverno, acendiam-se algumas velas que representavam o
“fogo do deus sol”, com a esperança de que a sua luz e o seu calor voltasse. Os
primeiros missionários aproveitaram esta tradição para evangelizar,
relacionando-a com Jesus Cristo.
No séc. XVI
torna-se símbolo do Advento nas casas dos cristãos. Este uso difunde-se
rapidamente e implanta-se também na América.
No séc. XIX
começou a colocar-se a coroa de Advento nas igrejas.
Existe uma
tradição que sugere o nome das quatro velas: vela da Profecia, vela de Belém,
vela dos Pastores, vela dos Anjos.
Uso da Coroa do Avento
O seu uso
tem-se difundido cada vez mais entre nós. Ajuda a aprofundar a espera e a
intensificar, em cada semana, a preparação para a vinda do Senhor. A coroa está
formada por uma grande quantidade de símbolos.
Com este
símbolo da coroa, simples e dinâmico, trata-se de ir criando uma atitude de
espera, com o seu jogo numérico, com o simbolismo da luz do verde, e com uma
aproximação gradual que convida à preparação da vinda de Cristo Jesus, Luz e
Vida para todos. No meio de um mundo secularizado, que tende a celebrar o Natal
com slogans meramente comerciais, a coroa pode ser um pequeno símbolo dos
valores que nós, os cristãos, vivemos nestes dias.
Natal é a
festa da luz: “O povo que andava nas trevas, viu uma grande luz”. Cristo é a
Luz do mundo. É Ele quem, com a Sua vinda, nos ilumina e nos conduziu à
esperança.
A coroa de
Advento aponta para o crescendo da Luz de Cristo, que dissipa as trevas deste
mundo. Ao acender semana após semana os quatro círios da coroa, significamos os
nossos passos de aproximação à luz que vem sobre nós e é Cristo Jesus.
Simbologia
A sua forma
circular indica a perfeição, a plenitude a que devemos aspirar na
nossa vida de cristãos. O círculo não tem princípio, nem fim. É sinal do amor
de Deus que é eterno, sem princípio e nem fim, e também do nosso amor a Deus e
ao próximo que nunca deve terminar. Além disso, o círculo dá uma idéia de
“elo”, de união entre Deus e as pessoas, como uma grande “Aliança”.
Como coroa,
significa a dignidade, a realeza que Cristo veio outorgar ao cristão, isto é, a
honra, a grandeza, a alegria, a vitória. (Em Ap 4,4-10 Cristo aparece como
soberano e em Ap 14,14 tem uma coroa na cabeça como o próprio Deus). É a “coroa
dos eleitos”. Uma coroa é usada em diversas ocasiões: a noiva no casamento, as
crianças em certas festas, na sepultura como sinal de uma vida plena. A coroa
de Advento significa também a plenitude dos tempos.
Os ramos
verdes significam também o senhorio de Cristo sobre a vida e a
natureza, dons de Deus. Verde é a cor da vida e da esperança. Deus oferece-nos
a sua graça, o seu perdão misericordioso e a glória da vida eterna no final de
nossa vida.
A luz
que se acende indica o caminho, afasta o medo e fomenta a comunhão. A
luz das velas é símbolo de Cristo, luz do mundo.
As quatro
velas da coroa simbolizam cada uma das quatro semanas do Advento.
Acende-se uma vela em cada semana; uma na primeira, duas na segunda, três na
terceira e quatro na quarta, simbolizando a nossa ascensão gradual para a
plenitude da luz do Natal. No inicio, vemos nossa coroa sem luz e sem brilho.
Recorda-nos a experiência da escuridão do pecado. À medida que se vai
aproximando o Natal, vamos acendendo uma a uma as quatro velas, representando assim
a chegada do Senhor Jesus, luz do mundo, que dissipa toda a escuridão, trazendo
aos nossos corações a reconciliação tão esperada.
O número
quatro também pode apontar para os quatro evangelistas, ou para os quatro mil
anos que o Povo Judeu esperou o Messias.
Orações da Coroa de Advento
É costume, nos
domingos de Advento, que as famílias e as comunidades se reúnam ao redor da
coroa para rezar. Pode começar-se por uma estrofe de um canto de Advento. Pode
ler-se antes ou depois de acender a vela uma passagem bíblica. Acende-se a vela
que corresponde à semana em questão, acompanhando, se possível, com um canto,
poema ou oração. Lê-se uma passagem da Bíblia (uma leitura profética tirada das
leituras da Missa), própria do tempo do Advento e pode fazer-se alguma oração
ou meditação. Pode-se recitar uma poesia ou uma oração de esperança. Pode-se
rezar um Pai Nosso, Avé-Maria e Glória, ou concluir com uma outra estrofe do
canto de Advento.
Acende-se na primeira semana uma vela, na segunda duas, etc.; pode fazê-lo cada semana um membro diferente da família ou do grupo.
Acende-se na primeira semana uma vela, na segunda duas, etc.; pode fazê-lo cada semana um membro diferente da família ou do grupo.
A coroa pode
ser abençada pelo sacerdote.
Utilização nas celebrações litúrgicas
A coroa de
Advento pode colocar-se no lugar mais conveniente à arquitectura da igreja: ao
centro, perto do ambão, perto do altar. Não se põe sobre o altar. O importante
é que seja visível e possa ser valorizada. Pode guiar o itinerário de
preparação para o Natal. Pode ser num lugar próximo daquele onde colocaremos o
presépio e, porventura, a árvore de Natal.
As velas devem
ser suficientemente grossas, de cores iguais ou diferentes, de alturas iguais
ou desiguais. No Natal pode estar perto do presépio.
As velas
podem-se acender durante o canto de entrada, logo no início da celebração após
breve monição, ou antes do acto penitencial, antes das leituras, ou após a
homilia.
Uma ou várias pessoas da comunidade levantam-se para acender as velas correspondentes. Podem-no ir fazendo pessoas representativas: crianças, jovens, um casal, uma religiosa. Também pode ser o presidente da assembleia a acender as velas.
Uma ou várias pessoas da comunidade levantam-se para acender as velas correspondentes. Podem-no ir fazendo pessoas representativas: crianças, jovens, um casal, uma religiosa. Também pode ser o presidente da assembleia a acender as velas.
Pode-se
acompanhar este gesto com um canto ou leitura de um texto, ou uma oração em
conjunto.
Na Missa do 1º
Domingo de Advento, ao acender a coroa da igreja podem ser benzidas as coroas
das famílias presentes.
Este rito de
acender a coroa com uma oração, faz-se em todas as Missas dominicais. Nos
restantes dias, as velas estão acesas antes de começar a celebração.
No Ritual das
Bênçãos (nn.1235-1242) existe uma breve monição da coroa e um rito de benção
para o efeito.
Utilização familiar ou em grupos
Quando a coroa
se utiliza na família, no grupo de catequese ou na escola, pode dar lugar a um
simples e sentido momento de oração.
A coroa do
Advento deve ser colocada num lugar de destaque, pode ser um lugar próximo
daquele onde colocaremos o presépio e, porventura, a árvore de Natal.
A coroa pode
ser feita em família, aproveitando a ocasião para ensinar às crianças o sentido
e o significado de tal símbolo.
Podem-se
repartir as funções de cada membro da família durante a oração. Um pode ser o
que acende a vela, outro o que lê a passagem bíblica, outro que faz algumas
preces, outro que faz algum comentário... A idéia é que todos possam participar
e que seja uma ocasião de encontro familiar.
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