Bem Vindo ao Blog da Paróquia de Vila da Ponte -Arciprestado de Sernancelhe - Diocese de Lamego

"A opção fundamental da Vida de um Cristão é acreditar no Amor de Deus" Bento XVI

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Novo bispo de Lamego promete relação próxima com as pessoas

Entrar em Lamego em dias de festa requer sempre uma elevada dose de paciência. E, este domingo, não fugiu à regra. Às 15 horas já havia longas filas de carros a entrar na cidade. Uma hora depois tomava posse, na Sé Catedral, o novo bispo de Lamego, D. António Couto.
A cidade da Senhora dos Remédios tem uma devoção acima da média e nestas coisas das festividades religiosas ninguém quer faltar. Sobretudo se o tempo estiver bom como estava este domingo.
O templo começou a encher depois da hora do almoço até ficar cheio que nem um ovo. Cá fora centenas de pessoas foram-se ajuntando para ver o bispo. À cerimónia haveriam de assistir através de ecrãs espalhados por ali.
Às 15.45 horas houve forte foguetório. Sinal que D. António estava a chegar, cumprindo o estipulado no protocolo. Dois grupos de escuteiros, de mãos dadas, de frente uns para os outros, garantiam uma via livre entre a multidão para que a comitiva passasse. E a Banda Filarmónica de Lalim estava preparada para tocar o Hino Pontifício.
O bispo assomou ao princípio do corredor, acompanhado do antecessor D. Jacinto Botelho e do presidente da Câmara de Lamego, Francisco Lopes, e logo se ouviu: "Viva o nosso bispo. Viva!" D. António Couto, 59 anos, exibiu sempre um sorriso largo.
Acenou a um lado e a outro, cumprimentou crianças e adultos, agradeceu a calorosa recepção, até chegar à porta principal da Sé. Duas crianças esperavam-no. Visivelmente envergonhados, disseram-lhe: "Bem-vindo à nossa diocese". E deram-lhe um ramo de flores. "Ai que bonito!" retorquiu-lhes o prelado, sempre sorridente.
E foi ali que o deão do Cabido e pároco da Sé, cónego Delfim de Almeida, lhe deu boas vindas à diocese de Lamego. O mesmo fez o presidente da Câmara: "A partir de hoje esta cidade também é sua. Queremos que nela se sinta como em casa". Acto contínuo entregou ao bispo uma réplica da chave da cidade.
Já depois de ser empossado pelo núncio apostólico em Portugal, D. Rino Passigato, representante diplomático da Santa Sé, D. António Couto salientou na homilia que quer "levar a todos os lugares e a todas as pessoas desta bela diocese este vendaval de graça e de bondade que um dia Jesus desencadeou".
De resto, o novo bispo de Lamego disse, ao JN, que quer dar o seu cunho pessoal a um plano pastoral já existente e que tem a ver com a família e com a nova evangelização. "Para isso quero ir ao encontro das pessoas às escolas, às fábricas, às vinhas, aos sítios mais afastados... enfim, aonde quer que estejam, para lhes levar uma palavra de carinho e esperança".
D. António Couto admite que "os pregadores da palavra de Deus fazem-no, às vezes, de forma neutra ou abstracta". Diz mesmo "de uma forma chata". Por isso "não cai nos ouvidos e nos corações das pessoas". O que se compromete a fazer é que o Evangelho seja "vivo e eficaz como quando saía da boca de Jesus, que fazia nascer no coração das pessoas uma vida nova, novos sonhos e atitudes". "Quero investir muito neste aspecto, senão corro o risco de atirar palavras para o ar e elas não caírem em coração nenhum", frisou.
Simpatizante do FC do Porto, mais por ter nascido no distrito do Porto - "já que não sou dos que sofrem a ver os jogos" - tem o Sporting de Braga como segundo clube, pois passou os últimos anos naquela cidade como bispo auxiliar. "Agora também serei do Sporting de Lamego. Farei os possíveis por ir ver um jogo de vez em quando", promete.
D. António Couto passou a liderar hoje a única diocese do país que não coincide com um distrito e que abrange 14 concelhos do norte dos distritos de Viseu e da Guarda, onde vivem cerca de 140 mil pessoas. Uma área que o prelado assume conhecer, apenas, geograficamente.

Imagens da Tomada de Posse de D. António Couto





Homilia de D. António Couto, Bispo de Lamego, na cerimónia de tomada de posse



Homilia pronunciada na Igreja Catedral, na cerimónia de tomada de posse como Bispo da Diocese de Lamego

«Eis que faço novas todas as coisas» (Apocalipse 21,5), diz Deus. De tal modo novas, diz Deus, que ninguém pode dizer: «Já o sabia» (Isaías 48,7).
Eis então Jesus a entrar com os seus discípulos em Cafarnaum, na sinagoga deles, e ensinava e ordenava tudo de forma nova. Tão nova que inutilizava todas as comparações e catalogações. Não era membro de nenhuma confraria, academia, partido, ordem profissional ou instituição, que à partida lhe conferisse algum crédito, alguma autoridade. Nenhum crédito, nenhum currículo, nenhum diploma, o precedia. A sua autoridade começava ali, no próprio acto de dizer ou de fazer. E as pessoas de Cafarnaum foram tomadas de tanto espanto, que tiveram de constatar logo ali que saía dos seus lábios e das suas mãos um mundo novo, belo e bom, ordenado segundo as pautas da Criação. Um vendaval manso de graça e de bondade encheu Cafarnaum, e transvazava como um perfume novo de amor e de louvor por toda a região da Galileia e da missão. Saltava à vista que Cafarnaum não podia conter ou reter tamanha vaga de perfume e lume novo.
As pessoas de Cafarnaum sabiam bem o que diziam os escribas, e como diziam os escribas. Não eram senão repetidores, talvez mesmo apenas repetentes de pesadas e cansadas doutrinas que se arrastavam na torrente de uma velha e gasta tradição. Os escribas diziam, diziam, diziam, recitavam o vazio (Salmo 2,1), compraziam-se na sua própria boca, nas suas próprias palavras (Salmo 49,14), e nada, nada, nada acontecia: nenhum calafrio na alma, nenhum rio nascia no deserto, ninguém estremecia ou renascia. Mas Jesus começou a falar, e as pessoas de Cafarnaum sentem um frémito, um estremecimento novo (Isaías 66,2 e 5), assalta-as uma comovida emoção, uma lágrima de alegria lhes acaricia o coração. Era como se acabassem de escutar aquela palavra única que há tanto tempo se procura, palavra criadora que nos vai direitinha ao coração, a ternura de quem leva uma criança pela mão!


As pessoas de Cafarnaum sabiam bem o que eram, e como se faziam os exorcismos. Estavam muito em voga naquele tempo. Eram longos, estranhos, complicados, cheios de fórmulas mágicas e ritos esotéricos. Mas Jesus diz uma palavra criadora: «Cala-te e sai desse homem», e tudo fica de imediato resolvido!
Abre-se um debate. O primeiro de muitos que o Evangelho de Marcos vai abrir. «O que é isto?», perguntam as pessoas de Cafarnaum, que nunca tinham visto tanto e tão novo e tão prodigioso ensinamento.
Mas é apenas o começo da jornada deste maravilhoso ANUNCIADOR do Evangelho de Deus (Marcos 1,14). Logo a abrir o seu Evangelho, Marcos ensina-nos que a jornada iniciada naquele primeiro sábado em Cafarnaum salta os clichés habituais, e vai de madrugada a madrugada, de modo a deixar já bem à vista aquela outra sempre primeira madrugada da Ressurreição! Jesus começa de manhã na sinagoga; caminha depois 30 metros para sul, e entra, pelo meio-dia, na casa de Pedro e levanta da febre para o serviço do Evangelho a sogra de Pedro; à tardinha, já sol-posto, primeiro dia da semana, toda a cidade de Cafarnaum está reunida diante da porta daquela casa, para ouvir Jesus e ver curados por Ele os seus doentes; de madrugada, muito cedo, Jesus sai sozinho para rezar, e os discípulos correm a procurá-lo para o trazer de volta a Cafarnaum, pois, dizem eles, todas as pessoas o querem ver e ter. Ninguém o quer perder.
Desconcertante reviravolta. Jesus diz aos seus discípulos atónitos: «VAMOS a outros lugares, às aldeias vizinhas, para que TAMBÉM ali ANUNCIE (kêrýssô) o Evangelho» (Marcos 1,38). Com este grávido dizer, Jesus deixa claro que ANUNCIAR o Evangelho enche por completo o seu programa e o seu caminho. Com aquele «vamos» [«vamos a outros lugares»], Jesus desinstala e agrafa a si os seus discípulos para este trabalho de ANÚNCIO do Evangelho seja a quem for, seja onde for. Com aquele «também» inclusivo [«para que também ali anuncie o Evangelho»], Jesus classifica como ANÚNCIO do Evangelho todos os afazeres da inteira jornada de Cafarnaum: ensinar, libertar, acolher, curar, recriar: é esta a toada do ANÚNCIO do Evangelho.
ANUNCIAR (kêrýssô) é então o afazer de Jesus. E qual é a primeira nota que soa quando Jesus se diz com o verbo ANUNCIAR? É, sem dúvida, a sua completa vinculação ao Pai, de quem é o arauto, o mensageiro, o ANUNCIADOR. Pura transparência do Pai, de quem diz e faz o que ouviu dizer (João 7,16-17; 8,26.38.40; 14,24; 17,8) e viu fazer (João 5,19; 17,4). Recebendo todo o amor fontal do Pai, bebendo da torrente cristalina do amor fontal do Pai (Salmo 110,7; cf. 1 Reis 17,4), Jesus, o Filho, é pura transparência do Pai, e pode, com toda a verdade dizer a Filipe: Filipe, «quem me vê, vê o Pai» (João 14,9). É mesmo aqui que reside a sua verdadeira AUTORIDADE e a verdadeira NOVIDADE do seu MODO novo de dizer e de fazer, que se chama ANUNCIAR.
A primeira nota de todo o ANUNCIADOR ou Arauto ou Mensageiro não assenta na capacidade deste, mas na sua fidelidade Àquele que lhe confia a mensagem que deve anunciar. É em Seu nome que diz o que diz, que diz como diz. No Enviado é o Rosto do Enviante que se deve ver em contra-luz ou filigrana pura. No Enviado ou Mensageiro ou Anunciador é verdadeiramente Deus que visita o seu povo.
Pertinho de Deus, cheio de Deus, Jesus leva Deus aos seus irmãos. É esta a Autoridade de Jesus. Ele é o profeta «como Moisés», mais do que Moisés, com a boca repleta das palavras de Deus (Deuteronómio 18,18). E não só a boca, mas também as mãos e o coração. Bem diferente dos escribas e dos falsos profetas e do povo rebelde no deserto. Estes dispensam a Palavra de Deus. O que querem ter na boca é pão e carne. O que recolheu menos, no deserto, diz-nos o extraordinário relato do Livro dos Números 11,31-35, recolheu 4500 kg de carne de codorniz. E começaram a meter a carne à boca com tamanha avidez, que morreram de náusea. Foram encontrados mortos, ainda com a carne entre os dentes, por mastigar (Números 11,33). Vê-se que é urgente libertar o coração, as mãos, a boca. Vive-se da Palavra. Morre-se de náusea.
Caríssimos irmãos mais pequeninos, jovens amigos, caríssimos pais, caríssimos idosos e doentes, caríssimos catequistas, acólitos, leitores, cooperadores na missão da evangelização e da caridade, ilustres autoridades, caríssimos seminaristas, caríssimos religiosos e religiosas, caríssimos diáconos e sacerdotes, Senhores Bispos, Senhor D. Jacinto, Senhor Núncio Apostólico, Senhor Cardeal Patriarca, e todos vós que comigo pisais hoje este chão de generoso vinho e de amendoeiras em flor.
Numa página sublime do Livro dos Números (17,17-26), Deus ordena a Moisés que recolha as varas de comando dos chefes das doze tribos de Israel, para, de entre eles, escolher um que exerça o sacerdócio em Israel. Em cada vara foi escrito o nome da respectiva tribo. Por ordem de Deus, o nome de Levi foi substituído pelo de Aarão. As doze varas foram colocadas, ao entardecer, na presença de Deus, na Tenda do Encontro. Na manhã seguinte, todos puderam ver que da vara de Aarão tinham desabrochado folhas verdes, flores em botão, flores abertas e frutos maduros (Números 17,23). Dos frutos é dito o nome: amêndoas! Vara de amendoeira em flor e fruto, que, por ordem de Deus, ficará para sempre na sua presença, diante do Propiciatório (cf. Hebreus 9,4), entre Deus e o povo, para impedir que o pecado do povo chegue a Deus, e para facilitar que o perdão de Deus chegue ao povo. Já ninguém estranhará agora que o candelabro (menôrah) que, noite e dia,/ ardia/ na presença de Deus, estivesse ornamentado com flores de amendoeira (Êxodo 25,31-35; 37,20-22). E também já ninguém estranhará que a tradição judaica tardia refira que a vara do Messias havia de ser de madeira… de amendoeira.
Aí estão as coordenadas exactas do lugar do sacerdote e do bispo: entre Deus e o povo. Mais concretamente: pertinho de Deus, mas de um Deus que faz carícias ao seu povo, um Deus que ama e que perdoa; pertinho do povo, o suficiente para lhe entregar esta carícia de Deus.
Queridos filhos e irmãos, pais e mães que Deus me deu nesta dorida e querida Diocese de Lamego. Quero muito ver o vosso rosto. Já sabeis que trago notícias de Deus. E que conto muito com cada um de vós, para levar a todos os lugares e a todas as pessoas desta bela Diocese este vendaval de graça e de bondade que um dia Jesus desencadeou em Cafarnaum.
Seja Louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!
+ António Couto, Bispo de Lamego

Saudação do Bispo Emérito ao novo Bispo de Lamego



Saudação proferida por D. Jacinto Botelho no início da cerimónia da tomada de posse do Sr. D. António José da Rocha Couto como seu Sucessor na Cátedra de Lamego

Bendito Aquele que vem em nome do Senhor!
Após a apresentação da Bula pontifícia ao Colégio de Consultores, o que acabou de ser cumprido pelo Senhor Núncio Apostólico com a leitura agora efectuada, o Senhor D. António Couto, é de pleno direito o Bispo da querida Diocese de Lamego.
Quero saudá-lo, na qualidade de seu diocesano, como meu Bispo, nosso Bispo, e testemunhar-lhe a mais profunda e convicta comunhão dentro do Presbitério a que pertenço e o Senhor D. António a partir deste momento consolida, e consequentemente oferecer-lhe os préstimos e a colaboração que me solicitar.
Utilizando as próprias palavras de Sua Santidade, Bento XVI, que o apresenta “agraciado com qualidades comprovadas e altamente douto em doutrinas sagradas”, esta celebração é momento adequado para agradecermos ao Senhor a Graça que é para Lamego a sua designação para nosso Bispo.
Profundo na Palavra de Deus que transparece no seu testemunho pastoral e jorra como tesouro inesgotável em toda a sua mensagem, bem podem aplicar-se-lhe, com total propriedade, as palavras do Beato João Paulo II na Exortação pós-sinodal Pastores Gregis: “Antes de ser transmissor da Palavra, o Bispo, com os seus sacerdotes e como qualquer fiel, antes como a própria Igreja, deve ser ouvinte da Palavra. Deve de certo modo estar «dentro» da Palavra, para deixar-se guardar e nutrir dela como de ventre materno.” Será muito difícil encontrar alguém que seja melhor, referência e modelo, desta reflexão.
Que a Senhora dos Remédios, Padroeira da nossa cidade, a nossa Mãe do Céu, de quem fala com tanto encanto e a quem reza com tão entranhado fervor, o envolva e revista com o Seu manto, da abundância da Graça do Bom Pastor.
Te Deum laudamus, porque o vislumbrado e florido ramo de amendoeira, é a certeza da esperança que o nosso novo Bispo, Senhor D. António Couto, nos traz.
Seja bem-vindo. Pode contar também com os seus diocesanos.

+ Jacinto Tomaz de Carvalho Botelho, Bispo Emérito de Lamego

Mensagem de fim de mandato do Sr. D. Jacinto Botelho, Bispo Emérito de Lamego



Prestes a terminar a missão episcopal na diocese de Lamego, os sentimentos que me apraz expressar são tão-somente de gratidão. Em primeiro lugar Acção de Graças a Deus, uno e trino, que me cumulou das Suas Bênçãos, ressalvando fraquezas pessoais e suprindo insuficiências.
Mas o meu reconhecimento vai também para todas e todos os diocesanos que tantas vezes e de tão variados e expressivos modos testemunharam a sua comunhão para comigo, grande estímulo para a minha fidelidade.
Sem nomear individualmente pessoas, não posso deixar de referir os mais próximos colaboradores, na reflexão sobre os problemas da Diocese e necessárias soluções, ou nos serviços dos vários departamentos da Cúria, designadamente o Conselho Episcopal, o Cabido, o Conselho de Arciprestes, o Conselho de Presbíteros, os responsáveis nas várias equipas de formação dos nossos seminários, ao longo destes 12 anos, os Assistentes eclesiásticos dos vários movimentos e associações da Diocese, todos os sacerdotes, dos quais sempre me senti próximo e irmão, e que nas paróquias ou em qualquer outro sector da pastoral, foram generosamente dedicados e dóceis.

Uma palavra de profundo e reconhecido apreço para os religiosos, religiosas contemplativas ou de vida activa, e Institutos Seculares e Sociedades de Vida Apostólica, cuja oração e trabalho, modelarmente inseridos nos programas pastorais da Diocese, são indiscutível factor de êxito apostólico. É imperativo referenciar as Irmãs da Congregação da Divina Providência e Sagrada Família, que na Casa Episcopal garantem um verdadeiro espírito de família.
Aos nossos leigos, nos movimentos e associações e nos serviços das comunidades paroquiais, num testemunho nunca suficientemente salientado de voluntariado, um sincero obrigado pela amizade que nos aproximou e por todos os projectos e iniciativas de formação, a torná-los responsavelmente fermento e sal nos ambientes que são os seus. Lembrando os leigos, destacaria os nossos jovens, esperança e certeza do futuro, com o seu entusiasmo e ousadia, que me enriqueceram e comunicaram juventude para nunca desfalecer. Aqui incluo também os nossos seminaristas, por quem agradecido não deixarei de rezar, para que sejam, depois de uma serena caminhada de discernimento e de empenhada e exigente formação, os padres de que Lamego precisa.
O Senhor D. António Couto é a escolha providencial que trará à nossa querida diocese o dinamismo pastoral que merece.
Que o manto da Mãe do Céu continue a ser para todos a tenda do encontro na nossa peregrinação para o Pai.

Lamego, 24 de Janeiro, memória de S. Francisco de Sales, de 2012
+ Jacinto Tomaz de Carvalho Botelho, Administrador Apostólico de Lamego

sábado, 28 de janeiro de 2012

S. Tomás de Aquino (1225-1274) – Dominicano e grande figura da teologia

Conta-se que, quando criança e com apenas cinco anos, Tomás, ao ouvir os monges cantando louvores a Deus, cheio de admiração perguntou: "Quem é Deus?".


A vida de santidade de Santo Tomás foi caracterizada pelo esforço em responder, inspiradamente para si, para os gentios e a todos sobre os Mistérios de Deus. Nasceu em 1225 duma família nobre, a qual lhe proporcionou óptima formação, porém visando a honra e a riqueza do inteligente jovem, e não a Ordem Dominicana, que pobre e mendicante atraía o coração de Aquino.


Perante a oposição familiar, principalmente da mãe condessa, Tomás chegou a viajar às escondidas para Roma com dezanove anos, para um mosteiro dominicano, porém, ao ser enviado para Paris, foi preso pelos irmãos servidores do Império. Levado ao lar paterno ficou, castigado pela mãe, por um tempo detido, tudo isto com a finalidade de fazê-lo desistir da vocação, mas nada adiantou.


Livre e obediente à voz do Senhor, prosseguiu nos estudos sendo discípulo do mestre Alberto Magno. A vida de Santo Tomás de Aquino foi tomada por uma forte espiritualidade Eucarística, na arte de pesquisar, elaborar, aprender e ensinar pela Filosofia e Teologia os Mistérios do Amor de Deus.


Pregador oficial, professor e consultor da Ordem, Santo Tomás escreveu, dentre várias obras, a Suma Teológica e a Suma contra os gentios. Chamado Doutor Angélico, Tomás faleceu em 1274, deixando à Igreja o testemunho e, o que muitos consideram, a síntese do pensamento católico.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Um retrato da Diocese de Lamego

A Diocese de Lamego, cuja fundação, na referência mais remota, é assinalada no ano de 570, pertence maioritariamente ao distrito de Viseu, integra atualmente 14 concelhos (dois destes concelhos pertencem ao distrito da Guarda) e distribui-se por 223 paróquias da margem a sul do Douro, numa área de aproximadamente 2.900 Km2, entre as confluências dos rios Douro, Coa e Paiva. O espaço diocesano integra grande parte da região do Douro, património da humanidade, sendo a agricultura e a vitivinicultura as atividades predominantes.
Num estudo comparativo, com base nos resultados disponibilizados pelos Censos de 2001 e 2011, verificamos que a população total da Diocese diminuiu acima dos 10% na última década, contando atualmente com 134 722 recenseados. A densidade populacional distribui-se entre os concelhos de Lamego (26 691) e Penedono (2952), as freguesias de Almacave (8770) e de Bigorne (46), sendo que 12 paróquias (5%) têm menos de 100 pessoas residentes e 145 paróquias (65%) contam com menos de 500 recenseados. Esta realidade tem vindo a avolumar as dificuldades que emergem da falta de população nas comunidades paroquiais, ao mesmo tempo que proporciona oportunidades mais favoráveis à ação pastoral centrada na pessoa. A faixa etária dominante é a dos 25-64 anos, seguindo-se a dos 65 e mais anos. A análise das mudanças ocorridas nos últimos 10 anos permite-nos verificar que o número de edifícios e alojamentos aumentou no espaço diocesano, enquanto o número de famílias diminuiu. 
A reorganização da rede escolar conduziu à extinção de inúmeras escolas do 1.º ciclo, situadas em quase todas as freguesias, e à criação de centros escolares, que em alguns casos tendem a vir a acolher toda a população estudantil do concelho. No contexto desta realidade, tem-se refletido sobre a oportunidade da formação catequética avançar para modelos supraparoquiais. Atendendo ao elevado interesse das crianças e adolescentes em frequentar a catequese, confrontados com as dificuldades em formar grupos com número razoável, assim como a dificuldade de dispor de agentes preparados para esta missão, tem-se concluído sobre a conveniência da criação de estruturas arciprestais que proporcionem uma resposta qualitativamente mais adequada.
Encontram-se incardinados na Diocese de Lamego 149 sacerdotes. Destes 102 exercem como párocos, 21 encontram-se fora do espaço diocesano, 13 estão jubilados mas ainda com alguma atividade pastoral, 5 estão jubilados sem que exerçam qualquer atividade pastoral, 5 servem nos seminários diocesanos e 3 estão afetos aos serviços diocesanos. Dos 110 sacerdotes que exercem como párocos, cerca de 38% tem entre 25 e 45 anos, 35% tem entre 46 e 65 anos e 27% tem entre 66 e 87 anos. Existem na diocese 10 equipas sacerdotais in solidum, enquanto 7 sacerdotes lecionam no Instituto Superior de Teologia – Viseu, 23 sacerdotes lecionam EMRC e 10 sacerdotes lecionam noutras áreas do saber. Nos últimos 10 anos foram ordenados 28 sacerdotes diocesanos. Estão incardinados na diocese 2 diáconos permanentes, sendo que um deles está atualmente ao serviço da diocese de Aveiro. No Seminário Menor encontram-se 17 seminaristas e no Seminário Maior 10 seminaristas e um diácono em ordem ao presbiterado. Relativamente às estruturas físicas de apoio, cerca de 29% das 223 paróquias têm residência paroquial que está habitada, 27% têm residências que foram readaptadas para outras funções de serviço à evangelização, 20% têm residências devolutas e 24% não possuem residência paroquial.
Na Diocese encontram-se 9 institutos religiosos femininos e 2 institutos religiosos masculinos. Nos últimos anos veio a acentuar-se a tendência para o encerramento de alguns destes institutos, apontando-se como razão dominante a necessidade de reorganização interna dos mesmos em virtude do vasto campo de missão e da míngua de vocações. Em sentido contrário tem crescido o número de instituições paroquiais de ação sociocaritativa, contando-se neste momento cerca de 40, na sua maioria centros sociais paroquiais/lares. Estas instituições são uma referência destacada no espaço paroquial e assumem-se como novos polos de dinamismo eclesial. Neste sentido, assinala-se a vitalidade e o empenhamento de vários movimentos de apostolado e evangelização: os Secretariados Diocesanos da infância, da adolescência, da juventude e das vocações, Escuteiros, Convívios Fraternos, Obra Kolping, Ação Católica Rural, Movimento da Mensagem de Fátima, Cursistas, Equipas de Nossa Senhora, Jovens sem Fronteiras, Conferência de S. Vicente de Paulo…
No respeitante à prática sacramental, a análise do número de registo de batismos, de 1980 até ao presente, mostra-nos uma diminuição de cerca de 50%, acompanhando a curva descendente da natalidade, esta em nada beneficiada pelo recente encerramento da única maternidade que existia em todo o espaço diocesano (Hospital de Lamego). A matriz cristã desta diocese faz com que a participação na eucaristia dominical seja bastante significativa, assim como a mobilização para as celebrações litúrgicas anuais e para as celebrações afetas a centros de espiritualidade mariana (Senhora dos Remédios, Senhora da Lapa, Senhora de Cárquere) e de piedade mais popular (Santa Helena, Senhor dos Enfermos, Santa Eufémia, São Domingos…). O estudo dos últimos 10 anos, permite-nos verificar que, em cerca de 40% das 223 paróquias, encontramos uma média igual ou inferior a dois matrimónios por ano, em 32% das paróquias encontramos uma média igual ou inferior a 5 matrimónios por ano e em cerca de 28% das paróquias encontramos uma média superior a 5 matrimónios por ano. Não encontramos variância significativa no número de celebrações fúnebres desde 1980 até ao presente. 
Padre Paulo Alves, Diretor do Centro de Estudos Sócio-pastorais