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"A opção fundamental da Vida de um Cristão é acreditar no Amor de Deus" Bento XVI

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Homilia de Bento XVI / Solenidade Maria Mãe de Deus 01/01/12

 





HOMILIA
Santa Missa na Solenidade de Maria Mãe de Deus
Dia Mundial da Paz
Basílica de São Pedro - Vaticano
Domingo, 01 de janeiro de 2012



No primeiro dia do ano, a liturgia faz ressoar em toda a Igreja espalhada pelo mundo, uma antiga benção sacerdotal, que escutamos na primeira leitura. “O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça resplandecer para ti a sua face e te dê a graça. O Senhor volte para ti o seu rosto e te conceda a paz” (Nm 6, 24-26). Essa benção foi confiada por Deus através de Moisés, a Araão e aos seus filhos, isto é, aos sacerdotes do povo de Israel. È um triplice desejo pleno de paz, que promana da repetição do nome de Deus, do Senhor e da imagem do seu rosto. De fato, para sermos abençoados precisamos estar na presença de Deus, receber sobre nós o seu Nome e permanecer no raio de luz que parte do seu rosto, no espaço iluminado pelo seu olhar, que difunde graça e paz.

Essa é a experiência feita pelos pastores de Belém, que aparecem ainda no Evangelho de hoje. Eles fizeram a experiência de estar na presença de Deus e da sua benção, não na sala de um majestoso palácio, na presença de um grande soberano, mas sim em um estábulo, diante de um menino colocado em uma manjedoura. Exatamente daquele Menino irradia uma nova luz, que resplandece no escuro da noite, como podemos ver em tantas pinturas que reproduzem a natividade de Cristo. É dEle que vem a benção: do seu nome – Jesus, que significa 'Deus Salva' - e do seu rosto humano, no qual Deus, o Onipotente Senhor do céu e da terra quis encarnar-se, esconder a sua glória sob o véu da nossa carne, para revelar-nos plenamente a sua bondade

A primeira a ser preenchida por essa benção foi Maria, a Virgem, esposa de José, que Deus escolheu desde o primeiro instante da sua existência para ser a mãe do seu Filho feito homem. Ela é a bendita entre as mulheres (Lc 1,42) – como a saúda Santa isabel. Toda a sua vida está na luz do Senhor, no raio da ação do nome e do rosto de Deus encarnado em Jesus, o fruto bendito do seu ventre. Assim a apresenta o Evangelho de Lucas: toda disposta a guardar e meditar no seu coração todas as coisas referentes ao seu filho Jesus (cfr Lc 2, 19.51). O mistério da sua divina maternidade, que hoje celebramos, contém em medida superabundante aquele dom da graça que toda maternidade humana traz em si, tanto que a fecundidade do ventre sempre foi associada à benção de Deus. A Mãe de Deus é a primeira abençoada e é Ela que traz a benção, é a mulher que acolheu Jesus em si e o deu à luz para toda a a família humana. Como reza a Liturgia: “sempre intacta na sua glória virginal, irradiou sobre o mundo a luz eterna, Jesus Cristo nosso Senhor” (Prefácio da Beata Virgem maria 1)

Maria é mãe e modelo da Igreja, que acolhe na fé a divina Palavra e se oferece a Deus como “terra boa” na qual Ele pode continuar a cumprir o seu mistério de salvação. Também a Igreja participa ao mistério da divina maternidade mediante a pregação, que espalha no mundo a semente do Evangelho e mediante os Sacramentos que comunicam aos homem a graça e a vida divina. Em particular no sacramento do Batismo, a Igreja vive essa maternidade, quando gera os filhos de Deus da água e do Espírito Santo, o qual em cada um exclama: “Abbá! Pai! (Gal 4,6). Como Maria, a Igreja é mediadora da benção de Deus para o mundo: a recebe acolhendo Jesus e a transmite levando Jesus. É Ele a misericórdia e a paz que o mundo por si não pode dar-se e da qual tem necessidade sempre, como ou mais que o pão.

Caros amigos, a paz, no seu sentido pleno e mais alto é a soma e a síntese de todas as bençãos. Por isto, quando duas pessoas amigas se encontram, se saúdam desejando reciprocamente a paz. Também a Igreja, no primeiro dia do ano invoca de modo especial esse bem supremo e o faz, como a Virgem Maria, mostrando a todos Jesus, porque como afirma o apóstolo Paulo, “Ele é a nossa paz” (Ef 2, 14) e ao mesmo tempo é a via através da qual os homens e os povos podem alcançar essa meta, a qual todos aspiramos. Levando, portanto, no coração este profundo desejo, tenho o prazer de acolher e saudar todos vocês, que no dia em que se celebra a XLV Jornada Mundial da Paz vieram à Basílica de São Pedro: os Senhor Cardeais, os embaixadores de tantos países amigos, que mais que nunca nesta ocasião, partilham comigo e com a Santa Sé a vontade de renovar o empenho pela promoção da paz no mundo; O presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, que com o secretário e os colaboradores trabalham em modo especial por esta finalidade; os outros prelados e autoridades presentes; os representantes de Associações e Movimentos eclesiais e todos vós, irmãos e irmãs, em particular aqueles que entre vós trabalham no campo da educação dos jovens. De fato – como sabeis – a prospectiva educativa é aquela que enfatizei na minha mensagem deste ano.

“Educar os jovens à justiça e à paz” é objetivo que compreende todas as gerações, e graças a Deus, a família humana, depois das tragédias das duas grandes guerras mundiais, mostrou-se cada vez mais consciente, como atestam, de uma parte, declarações de iniciativas internacionais, e de outra, a afirmação dos próprios jovens, nas últimas décadas, de tantas e diversas formas de empenho social neste campo. Para a comunidade eclesial educar à paz faz parte da missão recebida de Cristo, faz parte integrante da evangelização porque o Evangelho de Cristo também é Evangelho de Justiça e Paz. Mas a Igreja, nos últimos tempos, se fez intérprete de uma exigência que envolve todas as consciências mais sensíveis e responsáveis pelo futuro da humanidade: a exigência de responder a um desafio decisivo que é o desafio educativo. Por que “desafio”? Pelo menos por dois motivos: em primeiro lugar, porque na era atual, fortemente caracterizada pela mentalidade tecnológica, querer educar e não somente instruir é uma escolha; em segundo lugar, porque a cultura relativista coloca uma questão radical: tem sentido ainda educar? Educar para quê?

Naturalmente não podemos ir de encontro a essas questões a fundo, as quais procurei responder em outras ocasiões. Gostaria ao invés disso, destacar que, diante das sombras que hoje obscuram o horizonte no mundo, assumir a responsabilidade de educar os jovens à consciência da verdade, aos valores fundamentais da existência, às virtudes intelectuais, teologais e morais, significa olhar para a futuro com esperança. Nesse empenho por uma educação integral, entra também a formação à justiça e à paz. Os rapazes e moças de hoje crescem em um mundo que se tornou, por assim dizer, mais pequeno, onde os contatos entre as diferentes culturas e tradições, mesmo que muitas vezes não de forma direta, são constantes. Para eles, hoje, mais que nunca, é indispensável aprender o valor e o método da convivência pacífica, do respeito recíproco, do diálogo e da compreensão. Os jovens são por natureza abertos a essas atitudes, mas exatamente a realidade social na qual crescem podem levá-los a pensar e a agir em modo oposto, de modo intolerante e violento.
Somente uma sólida educação da consciência deles pode coloca-los à parte desses riscos e torná-los capazes de lutar sempre e contando somente com a força da verdade e do bem. Essa educação parte da família e se desenvolve na escola e nas outras experiências formativas. Se trata essencialmente de ajudar as crianças, os jovens, os adolescentes, a desenvolver uma personalidade que una um profundo sentido de justiça com o respeito do outro, com a capacidade de enfrentar os conflitos sem prepotência, com a força interior de testemunhar o bem também quando custa sacrifício, com o perdão e a reconciliação. Assim poderão tornar homens e mulheres verdadeiramente pacíficos e construtores da paz.

Nesta obra educativa voltada para as novas gerações, uma responsabilidade particular cabe também às comunidades religiosas. Todo itinerário de autêntica formação religiosa acompanha a pessoa, desde os primeiros anos de idade, a conhecer Deus, a amar e a fazer a sua vontade. Deus é amor, é justo e pacífico, e quem quer honrá-lo deve antes de mais nada comportar-se como um filho que segue o exemplo do Pai. Um Salmo afirma: “O Senhor cumpre coisas justas, defende os direitos de todos os oprimidos...Misericordioso e piedoso é o Senhor, lento para a ira e grande no amor” (Sal 103, 6.8). Em Deus justiça e misericórdia convivem perfeitamente, como Jesus nos demonstrou com o testemunho da sua vida. Em Jesus 'amor e verdade' se encontraram, 'justiça e paz' se uniram (cfr Sal 85, 12.13). Deus nos falou no seu Filho Jesus. Escutamos o que diz Deus: 'Ele anuncia a paz' (Sal 85,9). Jesus é uma via praticável, aberta a todos. É a via da paz. Hoje a Virgem Maria nos indica isso, nos mostra a Via: a sigamos! E vós, santa Mãe de Deus, acompanha-nos com a vossa proteção. Amém.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus


    
Clique no slide!1. Nós Te acolhemos, de braços abertos, ano novo de 2012! Nós Te saudamos, cheios de esperança e de confiança no Senhor, que irrompeu da Sua Eternidade, para abraçar o tempo e a história, e nos redimir, com o seu amor! Sem boas previsões à vista, sem seguranças certas, nem certezas que nos tranquilizem, nós Te recebemos, novo ano de 2012, com a esperança frágil da Virgem Mãe, que embala no seu regaço, o Deus Menino, acabado de nascer! Nós Te acolhemos e Te aguardamos, «mais do que as sentinelas pela aurora» (Sal.130,6)! Porque não perdemos mais tempo a esperar pelo tempo! Nós apenas esperamos, pelo Senhor, porque é no Senhor que está a misericórdia! E com Ele nos vêm a luz e a salvação!
2. É bem verdade que, no ano que termina, cresceu o sentimento de frustração por causa do agudizar da crise! Quase parece que um manto de escuridão teria descido sobre o nosso tempo, impedindo-nos de ver com clareza a luz do dia! Mas, nesta escuridão, o coração do homem, «não cessa de aguardar pela aurora» (cf. Salmo 130,6)! Esta expectativa mostra-se-nos hoje particularmente viva e visível nos jovens. As preocupações manifestadas por muitos jovens, no último ano, em várias regiões do mundo, como se viu, por exemplo, na chamada “primavera árabe”, exprimem o desejo de poder olhar para o futuro com fundada esperança. E, por isso, neste Dia Mundial da Paz, o pensamento do Papa, volta-se para os jovens, considerando o contributo que eles podem e devem oferecer à sociedade, com o seu entusiasmo e idealismo! Mas para isso, - adverte o Papa - é necessário, que sejam conduzidos, para fora de si mesmos, guiados por testemunhas autênticas, que encarnem, na própria vida, o caminho que propõem, pautado por valores, como o respeito pela vida, a procura humilde da verdade, o uso reto e correto da liberdade, o exercício da justiça, que não se move apenas por relações de direitos e deveres, mas também e sobretudo por relações de gratuidade, misericórdia e comunhão. A paz não é apenas dom a ser recebido, mas obra a ser construída, com fidelidade, constância, paciência, tenacidade, humildade e sacrifício, exigindo mesmo aos jovens a ousadia de caminhar em contracorrente.
3. Nesta urgência educativa, o Papa destaca a primária responsabilidade da família, sem ignorar as suas dificuldades: “Condições de trabalho frequentemente pouco compatíveis com as responsabilidades familiares, preocupações com o futuro, ritmos frenéticos de vida, emigração à procura dum adequado sustento, se não mesmo da pura sobrevivência, acabam por tornar difícil a possibilidade de assegurar aos filhos um dos bens mais preciosos: a presença dos pais”. Neste contexto, o Papa deixa palavras de alento: “Queridos pais: Não desanimeis! Com o exemplo da vossa vida, ajudai os vossos filhos a colocar a esperança, antes de tudo em Deus, o único de quem surgem justiça e paz autênticas”.
4. Na verdade, é árduo o desafio de percorrer os caminhos da justiça e da paz, um bem nunca alcançado, uma meta sempre a aspirar! Podemos interrogar-nos como o salmista: «Levanto os meus olhos para os montes, de onde me virá o auxílio?» (Sal 121, 1).Não virá certamente das ideologias do poder! O próprio responde: «o nosso auxílio vem do Senhor, que fez o céu e a terra», que fez descer o céu à terra! Permiti-me, por isso, que vo-lo diga: voltemo-nos para o Deus vivo, nosso Criador e Redentor! Só Ele é o amor eterno; só Ele nos dá a medida do que é justo; só Ele é a fonte da nossa liberdade; só Ele, o garante do que é bom e verdadeiro!
5. Maria, a Mãe de Deus, oferece-nos o frágil Menino, como nossa única esperança! Cheios de confiança, poderemos então rezar-lhe no início de um novo ano: “Tu, Deus da eternidade, Senhor do tempo e da história, és a nossa esperança certa; não permitais que jamais sejamos confundidos! Senhor, só a Ti e só em Ti esperamos, hoje e sempre. Pois só de Ti, nos vêm a salvação e a paz para todos os homens. Amém”!´

Deus contrapõe-se a qualquer violência



"Sejam detidas as mãos dos violentos", que semeiam a morte e "o Senhor socorra a humanidade ferida por tantos conflitos que ainda hoje ensanguentam o Planeta". Face a mais um Natal de sangue, que se materializou este ano com particular ferocidade sobretudo na Nigéria, Bento XVI pediu aos fiéis reunidos na segunda-feira, 26 de Dezembro na Praça de São Pedro para a recitação do Angelus, para rezar ainda "mais intensamente" para que no mundo possam por fim reinar "a justiça e a paz".


Também na homilia da noite de Natal o Papa tinha manifestado a sua preocupação face aos horrores e às contradições do mundo, hoje semelhantes às que, na "época pré-cristã" faziam com que os homens temessem que "Deus não fosse totalmente bom, mas pudesse ser também cruel e arbitrário". Preocupações que diminuíram naqueles anos distantes pela "epifania", ou seja, "pela grande luz que nos apareceu: Deus é bondade pura". Ainda hoje, ressaltou o Papa, pessoas "que já não conseguem reconhecer Deus na fé, se interrogam se a última potência que funda e ampara o mundo é verdadeiramente boa, ou se o mal não é tanto poderoso e originário quanto o bem". Com o Natal é-nos dada a certeza "sempre nova e confortadora", quando "aparecem a bondade de Deus... e o seu amor pelos homens". Invocando este amor por todas as populações que ainda hoje sofrem por causa da "supremacia do perseguidor" Bento XVI, na mensagem urbi et orbi, retomou a sua oração ao Salvador para suplicar com "confiança e esperança: Veni ad salvandum nos!".


(© L'Osservatore Romano - 31 de Dezembro de 2011)

“Educar os jovens para a justiça e para a paz é tarefa de todas as gerações "



Assumir a responsabilidade de educar os jovens significa encarar o futuro com esperança. Um empenho que constitui um verdadeiro desafio e inclui naturalmente formar na justiça e na paz. Na homilia da Missa deste primeiro de Janeiro, na basílica de São Pedro, Bento XVI ilustrou brevemente o tema deste quadragésimo quinto Dia Mundial da Paz – “Educar os jovens na justiça e na paz”.


O Santo Padre comentou antes de mais as leituras da Missa, a começar pela primeira, com a antiga bênção sacerdotal, que invoca a luz do rosto de Deus resplandecendo sobre os fiéis, com o dom da paz. De acordo com esta fórmula de bênção – observou – “para ser abençoado, é preciso estar na presença de Deus… permanecer no cone de luz que parte do seu Rosto, no espaço iluminado pelo seu olhar, que difunde graça e paz”.


Mas é precisamente do Menino, Jesus, que contemplamos neste dia ao colo de sua Mãe santíssima, que irradia a luz da bênção divina. É dele que vem a bênção: do seu nome (Jesus, que significa “Deus salva”) e do seu rosto humano. A primeira a ser cumulada desta bênção foi Maria, escolhida por Deus para ser a Mãe do Seu Filho feito homem. Maria é, como diz Isabel na sua saudação, “bendita entre as mulheres”.


“O mistério da sua divina maternidade, que hoje celebramos, contém em medida superabundante aquele dom de graça que comporta toda e qualquer maternidade. A fecundidade do ventre sempre foi associada à bênção de Deus… Maria é mãe e modelo da Igreja, que acolhe na fé a Palavra divina e se oferece a Deus como terra boa na qual Ele pode continuar o seu mistério de salvação”.


Como Maria (prosseguiu o Papa), a Igreja é mediadora da bênção de Deus para o mundo: recebe-a acolhendo Jesus e transmite-a levando Jesus. É Ele a misericórdia e a paz que o mundo por si não pode assegurar-se e de que tem necessidade como pão e mais ainda.


“Caros amigos, a paz, no seu sentido mais pleno e mais elevado, é a soma e a síntese de todas as bênçãos. Quando duas pessoas amigas se encontram, cumprimentam-se desejando-se mutuamente a paz. Também a Igreja, no primeiro dia do ano, invoca de modo especial este dom supremo, e fá-lo, como a Virgem Maria, mostrando a todos Jesus”.


Foi neste contexto, que Bento XVI referiu, na parte final da homilia, o tema deste Dia mundial da paz 2012: “Educar os jovens para a justiça e para a paz é tarefa de todas as gerações e, graças a Deus, a família humana, depois das tragédias das duas grandes guerras mundiais, tem mostrado ter cada vez mais consciência disto mesmo… Para a Comunidade eclesial educar para a paz enquadra-se na missão recebida de Cristo, faz parte integrante da evangelização, porque o Evangelho de Cristo é também o Evangelho da justiça e da paz”.


Bento XVI referiu que “a Igreja nos últimos tempos se tem feito intérprete de uma exigência que envolve todas as consciências mais sensíveis e responsáveis pela sorte da humanidade: a exigência de responder a um desafio decisivo que é precisamente o desafio educativo”.


“perante as sombras que hoje em dia pesam sobre o horizonte do mundo, assumir a responsabilidade de educar os jovens para o conhecimento da verdade, para os valores fundamentais da existência, para as virtudes intelectuais, teologais e morais, significa encarar o futuro com esperança. E neste empenho por uma educação integral, entra também a formação na justiça e na paz”.


Os jovens de hoje crescem num mundo que se tornou, por assim dizer, mais pequeno, onde são constantes os contactos entre as diferentes culturas e gerações. “Hoje mais do que nunca (insistiu o Papa), é indispensável aprender o valor e o método da convivência pacífica, do respeito recíproco, do diálogo e da compreensão”.


“Trata-se essencialmente de ajudar as crianças, os adolescentes, a desenvolver uma personalidade que aliar um profundo sentido da justiça ao respeito do outro, à capacidade de enfrentar os conflitos sem prepotência, com a força interior de testemunhar o bem mesmo quando custa sacrifício, com o perdão e a reconciliação. Poderão assim tornar-se homens e mulheres verdadeiramente pacíficos e construtores de paz”.


Rádio Vaticano

«Salve Santa Mãe santa, que destes à luz o Rei do céu e da terra»



«Salve Santa Mãe santa, que destes à luz o Rei do céu e da terra» (antífona de entrada). Hoje, oitavo dia depois do Natal e primeiro dia do ano, a Igreja dirige-se com esta antiga saudação à Santíssima Virgem Maria, invocando-a enquanto Mãe de Deus. O Filho eterno do Pai tomou n'Ela a nossa carne e tornou-se, através d'Ela «filho de David, filho de Abraão» (Mt 1, 1). Maria é, portanto, a verdadeira Mãe, a Theotokos, a Mãe de Deus! Se Jesus é a Vida, Maria é a Mãe da Vida. Se Jesus é a Esperança, Maria é a Mãe da Esperança. Se Jesus é a Paz, Maria é a Mãe da Paz, a Mãe do Príncipe da Paz. Entrando no novo ano, pedimos a esta Mãe santa que nos abençoe. Peçamos-lhe que nos dê Jesus, a nossa bênção completa, com a qual o Pai abençoou a história de uma vez por todas, fazendo com que se tornasse uma história de salvação. [...] O Menino nascido em Belém é a Palavra eterna do Pai feita carne para nossa Salvação: é «Deus connosco» que traz conSigo o segredo da verdadeira paz. Ele é o Príncipe da Paz (Is 7, 14; 9, 5). [...]

«Salve, Santa Mãe!» [...] O Menino que apertas contra o peito tem um nome querido aos povos da religião bíblica: «Jesus», que significa «Deus salva». Assim Lhe chamava o arcanjo, antes mesmo de que Ele fosse concebido no teu seio (Lc 2, 21). Na face do Messias recém-nascido reconhecemos a face de cada um dos teus filhos ultrajados e explorados. Reconhecemos em especial a face das crianças, seja qual for a sua raça, o país ou a cultura a que pertençam. Para elas, ó Maria, pelo futuro delas, te pedimos que enterneças os corações endurecidos pelo ódio, a fim de que se abram ao amor e de que a vingança ceda finalmente o lugar ao perdão. Ó Mãe, alcança-nos que a verdade desta afirmação – não há paz sem haver justiça e não há justiça sem haver perdão – se imprima no coração de todos. A família humana poderá assim reencontrar a paz verdadeira, que nasce do encontro entre a justiça e a misericórdia. Mãe santa, Mãe do Príncipe da Paz, ajuda-nos! Mãe da humanidade e Rainha da Paz, ora por nós!



João Paulo II, Papa entre 1978 e 2005
Homilia de 01/01/02

Santa Maria, Mãe de Deus


A contemplação do mistério do nascimento do Salvador tem levado o povo cristão não só a dirigir-se à Virgem Santa como a Mãe de Jesus, mas também a reconhecê-la como Mãe de Deus. Essa verdade foi aprofundada e compreendida como pertencendo ao património da fé da Igreja, já desde os primeiros séculos da era cristã, até ser solenemente proclamada pelo Concílio de Éfeso no ano 431. Na primeira comunidade cristã, enquanto cresce entre os discípulos a consciência de que Jesus é o Filho de Deus, resulta sempre mais claro que Maria é a Theotokos, a Mãe de Deus.


Trata-se de um título que não aparece explicitamente nos textos evangélicos, embora eles recordem "a Mãe de Jesus" e afirmem que Ele é Deus (Jo, 20, 28; cf. 5, 18; 10, 30.33). Em todo o caso, Maria é apresentada como Mãe do Emanuel, que significa Deus connosco (cf. Mt. 1, 22-23). Já no século III, como se deduz de um antigo testemunho escrito, os cristãos do Egipto dirigiam-se a Maria com esta oração: "Sob a vossa protecção procuramos refúgio, santa Mãe de Deus: não desprezeis as súplicas de nós, que estamos na prova, e livrai-nos de todo o perigo, ó Virgem gloriosa e bendita" (Da Liturgia das Horas). Neste antigo testemunho a expressão Theotokos, "Mãe de Deus", aparece pela primeira vez de forma explícita. Na mitologia pagã, acontecia com frequência que alguma deusa fosse apresentada como mãe de um deus. Zeus, por exemplo, deus supremo, tinha por mãe a deusa Reia. Esse contesto facilitou talvez, entre os cristãos, o uso do titulo "Theotokos", "Mãe de Deus", para a mãe de Jesus. Contudo, é preciso notar que este titulo não existia, mas foi criado pelos cristãos, para exprimir uma fé que não tinha nada a ver com a mitologia pagã, a fé na concepção virginal, no seio de Maria, d'Aquele que desde sempre era o Verbo eterno de Deus.






No século IV, o termo Theotokos é já de uso frequente no Oriente e no Ocidente. A piedade e a teologia fazem referência, de modo cada vez mais frequente, a esse termo, já entrado no património de fé da Igreja. Compreende-se, por isso, o grande movimento de protesto, que se manifestou no século V, quando Nestório pôs em dúvida a legitimidade do título "Mãe de Deus".


Ele, de facto, propenso a considerar Maria somente como mãe do homem Jesus, afirmava que só era doutrinalmente correcta a expressão "Mãe de Cristo". Nestório era induzido a este erro pela sua dificuldade em admitir a unidade da pessoa de Cristo, e pela interpretação errónea da distinção entre as duas naturezas - divina e humana - presentes n'Ele. O Concílio de Éfeso, no ano 431, condenou as suas teses e, afirmando a subsistência da natureza divina e da natureza humana na única pessoa do Filho, proclamou Maria Mãe de Deus.


As dificuldades e as objecções apresentadas por Nestório oferecem-nos agora a ocasião para algumas reflexões úteis, a fim de compreendermos e interpretarmos de modo correcto esse título. A expressão Theotokos, que literalmente significa "aquela que gerou Deus", à primeira vista pode resultar surpreendente; suscita, com efeito, a questão sobre como é possível que uma criatura humana gere Deus.
A resposta da fé da Igreja é clara: a maternidade divina de Maria refere-se só à geração humana do Filho de Deus e não à sua geração divina. O Filho de Deus foi desde sempre gerado por Deus Pai e é-lhe consubstancial. Nesta geração eterna Maria não desempenha, evidentemente, nenhum papel. O Filho de Deus, porém, há dois mil anos, assumiu a nossa natureza humana e foi então concebido e dado à luz por Maria. Proclamando Maria "Mãe de Deus", a Igreja quer, portanto, afirmar que ela é a "Mãe do Verbo encarnado, que é Deus". Por isso, a sua maternidade não se refere a toda a Trindade, mas unicamente à segunda pessoa, ao Filho que, ao encarnar-se, assumiu dela a natureza humana. A maternidade é relação entre pessoa e pessoa: uma mãe não é mãe apenas do corpo ou da criatura física saída do seu seio, mas da pessoa que ela gera. Maria, portanto, tendo gerado segundo a natureza humana a pessoa de Jesus, que é pessoa divina, é Mãe de Deus.


Ao proclamar Maria "Mãe de Deus", a Igreja professa com uma única expressão a sua fé acerca do Filho e da Mãe. Esta união emerge já no Concílio de Éfeso; com a definição da maternidade divina de Maria, os Padres queriam evidenciar a sua fé na divindade de Cristo. Não obstante as objecções, antigas e recentes, acerca da oportunidade de atribuir este título a Maria, os cristãos de todos os tempos, interpretando correctamente o significado dessa maternidade, tornaram-no uma expressão privilegiada da sua fé na divindade de Cristo e do seu amor para com a Virgem. Na Theotokos a Igreja, por um lado, reconhece a garantia da realidade da Encarnação, porque - como afirma Santo Agostinho - "se a mãe fosse fictícia, seria fictícia também a carne... fictícias seriam as cicatrizes da ressurreição" (Tracto. in Ev. Ioannis, 8, 6-7). E, por outro, ela contempla com admiração e celebra com veneração a imensa grandeza conferida a Maria por Aquele que quis ser seu filho.


A expressão "Mãe de Deus" remete ao Verbo de Deus que, na Encarnação, assumiu a humildade da condição humana, para elevar o homem à filiação divina. Mas esse título, à luz da dignidade sublime conferida à Virgem de Nazaré, proclama, também, a nobreza da mulher e a sua altíssima vocação. Com efeito, Deus trata Maria como pessoa livre e responsável, e não realiza a Encarnação de seu Filho senão depois de ter obtido o seu consentimento. Seguindo o exemplo dos antigos cristãos do Egipto, os fiéis entregam-se Àquela que, sendo Mãe de Deus, pode obter do divino Filho as graças da libertação dos perigos e da salvação eterna.

Reavivar uma fé que instaure um novo humanismo capaz de gerar cultura e empenho social

Bento XVI presidiu esta tarde na Basílica de S. Pedro a celebração das primeiras vésperas da solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus, seguindo-se a exposição do Santíssimo Sacramento , o canto tradicional do Te Deum de fim de ano e a bênção eucarística.


É muito sugestivo, neste fim de ano, - disse o Papa na homilia - escutar novamente o anúncio jubiloso que o apóstolo Paulo dirigia aos cristãos da Galácia: «Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à lei, para resgatar os que eram sujeitos à Lei, para que recebêssemos a adoção filial» (Gal 4,4-5). Essas palavras tocam o cerne da história de todos e a iluminam, antes, a salvam, porque desde o dia do em que nasceu o Senhor, chegou para nós a plenitude do tempo. Portanto, já não há mais lugar para a angústia diante do tempo que passa e não volta para trás; agora é o momento de confiar infinitamente em Deus, por quem sabemos ser amados, para quem vivemos e a quem a nossa vida se orienta, na espera do seu retorno definitivo. Desde que o Salvador desceu do Céu, o homem já não é mais escravo de um tempo que passa sem um porquê, ou que esteja marcado pela fadiga, pela tristeza, pela dor. O homem é filho de um Deus que entrou no tempo para resgatar o tempo da falta de sentido ou da negatividade, e que resgatou toda a humanidade, dando-lhe, como nova perspectiva de vida, o amor que é eterno.


Bento XVI salientou depois que a Igreja vive e professa esta verdade e quer proclamá-la novamente hoje, com renovado vigor espiritual. Nesta celebração, temos motivos especiais para louvar o Senhor pelo seu mistério de salvação, presente no mundo por meio do ministério eclesial. Temos muitos motivos de agradecimento ao Senhor por tudo o que a nossa comunidade eclesial, no coração da Igreja universal, realiza a serviço do Evangelho nesta Cidade.


O Papa deu graças ao Senhor, nomeadamente, pelo promissor caminho comunitário dirigido a adequar a pastoral ordinária às exigências do nosso tempo, por meio do projeto «Pertença eclesial e co-responsabilidade pastoral». Este tem o objetivo de colocar a evangelização em primeiro lugar; para fazer mais responsável e frutífera a participação dos fiéis nos Sacramentos, de tal forma que cada um possa falar de Deus ao homem contemporâneo e anunciar o Evangelho com eficácia aos que nunca o conheceram ou o esqueceram.


A questio fidei é também o desafio pastoral prioritário para a Diocese de Roma. Os discípulos de Cristo estão chamados a fazer renascer em si mesmos e nos demais a saudade de Deus e a alegria de viver n'Ele e de testemunhá-Lo, a partir da pergunta, sempre muito pessoal: Por que creio? É necessário conceder o primado à verdade, confirmar a aliança entre a fé e a razão, como as duas asas com as quais o espírito humano se eleva à contemplação da Verdade (cf. João Paulo II, Enc. Fides et ratio, Prólogo); tornar fecundo o diálogo entre o cristianismo e a cultura moderna; levar à redescoberta da beleza e da atualidade da fé, não como um ato em si mesmo, isolado, que diz respeito a algum momento da vida, mas como uma orientação constante, mesmo nas escolhas mais simples, que leva à unidade profunda da pessoa, tornando-a justa, ativa, benéfica, boa. Trata-se de reavivar uma fé que instaure um novo humanismo capaz de gerar cultura e empenho social.


Na sua homilia Bento XVI recordou que na Assembleia diocesana do passado mês de junho, a Diocese de Roma iniciou um caminho de aprofundamento sobre a iniciação cristã e sobre a alegria de gerar novos cristãos para a fé. De facto, anunciar a fé no Verbo feito carne é o cerne da missão da Igreja, e toda a comunidade eclesial deve redescobrir esta tarefa, com um renovado ardor missionário. As novas gerações que mais sentem a desorientação, acentuada também pela crise atual, não só econômica, mas também de valores, -salientou o Papa - têm necessidade, sobretudo, de reconhecer em Cristo Jesus «a chave, o centro e o fim de toda a história humana» (Conc. Vat. II. Gaudium et spes, 10).


Os pais são os primeiros educadores na fé dos seus filhos desde a mais terna idade; por isso, é necessário apoiar as famílias na sua missão educativa, por meio de iniciativas adequadas. Ao mesmo tempo, é desejável que o caminho batismal, primeira etapa do itinerário formativo da iniciação cristã, além de favorecer uma consciente e digna preparação para a celebração do Sacramento, dê a devida atenção aos anos imediatamente sucessivos ao batismo, com os itinerários apropriados que levem em conta as condições de vida das famílias. Neste contexto Bento XVI animou as comunidades paroquiais e as outras realidades eclesiais a continuarem a refletir para promover uma melhor compreensão e recepção dos sacramentos através dos quais o homem se torna participante da vida mesma de Deus. Que a Igreja de Roma - foram os votos do Papa - possa sempre contar com fiéis leigos, prontos a oferecer a sua contribuição pessoal para edificar comunidades vivas, que permitam que a Palavra de Deus entre no coração dos que ainda não conheceram o Senhor ou se afastaram d'Ele. Ao mesmo tempo, é oportuno criar ocasiões de encontro com a Cidade, que permitam um diálogo proveitoso com todos os que estão à procura da Verdade.


A Igreja nos sugere concluir o ano dirigindo ao Senhor o nosso agradecimento por todos os seus benefícios. É em Deus que deve terminar a nossa última hora, a última hora do tempo e da história. Esquecer este final da nossa vida significaria cair no vazio, viver sem sentido. Por isso, a Igreja coloca nos nossos lábios o antigo hino Te Deum. É um hino repleto da sabedoria de tantas gerações cristãs, que sentem a necessidade de elevar o seu coração, na certeza que estamos todos nas mãos cheias de misericórdia do Senhor.


«Te Deum laudamus!». Assim canta também a Igreja que está em Roma, pelas maravilhas que Deus realizou e realiza nela. Com a alma cheia de gratidão nos dispomos a atravessar o limiar do ano 2012, lembrando que o Senhor vela sobre nós e nos protege. Nesta tarde, queremos confiar-Lhe o mundo inteiro. Coloquemos em suas mãos as tragédias do nosso mundo e ofereçamos a Ele também as esperanças de um futuro melhor. Depositemos estes votos nas mãos de Maria, Mãe de Deus, Salus Populi Romani.


Rádio Vaticano